A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) afirmou que acionou o Itamaraty e irá acionar judicialmente o presidente do Estados Unidos, Donald Trump, a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Comissão Nacional de Direitos Humanos. A deputada foi identificada como “sexo masculino” em seu novo visto para os Estados Unidos tirado devido à Brazil Conference, na Universidade de Harvard e no MIT, onde iria palestrar.
A parlamentar apresentou todos seus documentos, com certidão de nascimento e passaporte diplomático, na qual informa ser do gênero feminino, para nova retirada de visto. No entanto, os dados registrados em seus documentos foram ignorados.
“Não me surpreende. Isso já está acontecendo nos documentos de pessoas trans dos EUA faz algumas semanas. […] Os documentos que apresentei são retificados, e sou registrada como mulher inclusive na certidão de nascimento. Ou seja, estão ignorando documentos oficiais de outras nações soberanas, até mesmo de uma representante diplomática, para ir atrás de descobrir se a pessoa, em algum momento, teve um registro diferente”, declarou Erika em suas redes sociais.
Diante da situação de “transfobia de Estado”, declarada em nota pela deputada, ela desistiu de participar do evento que ocorreu no último sábado (12) por medo do tratamento no aeroporto estadunidense.
O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou em seu primeiro dia de mandato o reconhecimento de apenas dois gêneros no país, gênero feminino e gênero masculino. Anulando as medidas tomadas no antigo governo de Joe Biden, em 2022.
Ainda em declaração feita em suas redes sociais, Erika Hilton se solidarizou com as pessoas trans que residem no país. “O que me preocupa é um país estar ignorando documentos oficiais acerca da existência dos próprios cidadãos, e alterando-os conforme a narrativa e os desejos de retirada de direitos do Presidente da vez”, disse.



