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População de jumentos cai cerca de 94% no Brasil em três anos e caminha para extinção

O motivo da redução é a comercialização do colágeno extraído da pele do animal para China com o intuito de fazer ejiao, um produto usado como suplemento para aumentar a vitalidade e comercializado por toda ásia
Por Driccia Hellen
Atualizado há 11 meses
Tempo de leitura: 3 mins
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A maioria desses abates ocorre principalmente no estado da Bahia. Foto: Câmara dos Deputados

A população de jumentos reduziu cerca de 94% no Brasil nos últimos três anos. O resultado é decorrência dos 248 mil abates entre o período de 2018 e 2024, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). 

O motivo da redução é a comercialização do colágeno extraído da pele do animal para China com o intuito de fazer ejiao, um produto usado como suplemento para aumentar a vitalidade.

De acordo com dados da FAO, IBGE e Agrostat, em 1999 o rebanho de animais somava cerca 1,37 milhão, atualmente esse número caiu para 78 mil, ou seja, seis jumentos para cada 100 que existiam três décadas atrás. Devido isso, o país caminha para uma extinção do animal, caso não haja nenhuma intervenção.

A maioria desses abates ocorre principalmente no estado da Bahia, na qual ficam os três principais frigoríficos autorizados pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF) a realizar esse tipo de atividade. 

Com intuito de barrar uma possível extinção, o 3º Workshop Internacional – Jumentos do Brasil: Futuro Sustentável, organizado pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL) com apoio da ONG britânica The Donkey Sanctuary será realizado entre 26 e 28 de junho. No evento será lançado o relatório internacional “Stolen Donkeys, Stolen Futures” no Brasil, além da campanha global Stop The Slaughter (“Parem o Abate”).

“O jumento nordestino possui um perfil genético único, adaptado ao semiárido brasileiro. Sua extinção seria uma perda irreparável para nossa biodiversidade e para as comunidades rurais que dependem dele”, declarou Patricia Tatemoto, coordenadora da campanha da The Donkey Sanctuary no Brasil e pós-doutora em medicina veterinária pela USP a Forbes. 

Outras atividades que tem o intuito de barrar essa atividade é a tramitação de dois projetos de lei. Um deles é o  PL nº 2.387/2022, no Congresso Nacional, que já passou pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara. E o outro é o PL nº 24.465/2022, na Assembleia Legislativa da Bahia, também aprovado na CCJ que ainda aguarda votação em plenário.

Fora do Brasil, outras mobilizações também ocorrem para combater o abate desse animal. A União Africana aprovou em 2023 uma moratória contra a exportação adotada por países como Quênia, Nigéria e Tanzânia. Estima-se que todo o território africano adote essa medida.

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