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Política

TRE-CE mantém cassação de prefeito e vice eleitos em Santa Quitéria, investigados por envolvimento com facção

Ambos são acusados de receber apoio da facção Comando Vermelho (CV) para compra de votos
Por Clara Sobreira
Atualizado há 11 meses
Tempo de leitura: 2 mins
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Foto: Reprodução/ Redes sociais e Divulgação/Prefeitura de Santa Quitéria

O Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) manteve, por unanimidade, a cassação do prefeito eleito de Santa Quitéria, Braguinha (PSB), e do vice, Gardel Padeiro (PP), por abuso de poder político e econômico. Ambos são acusados de receber apoio da facção Comando Vermelho (CV) para compra de votos, inclusive com drogas, e ameaças a candidatos e eleitores durante a campanha de 2024. A Corte também determinou a realização de novas eleições no município. O processo ainda cabe recurso. 

O relator do caso, desembargador Luciano Nunes Maia Freire, classificou o episódio como um dos mais graves já julgados pela Justiça Eleitoral envolvendo facções. Para ele, “a vontade do eleitor foi absolutamente corrompida” e há “provas robustas” da participação do CV na campanha de Braguinha e Gardel.

A defesa do prefeito cassado, feita pelos advogados Fernandes Neto e Valdir Filho, teve o recurso rejeitado por unanimidade. Eles alegaram falta de defesa, falhas no processo e ausência de provas. “Não é a escassez de prova, nós não temos prova”, disse Valdir Filho. O procurador eleitoral Samuel Arruda contestou, dizendo que os fatos eram “notórios” e que a eleição foi injusta.

Relembre o caso

Eleitos em 2024, ambos foram impedidos de tomar posse em 1º de janeiro de 2025. Braguinha chegou a ser preso nas vésperas, e quem assumiu a Prefeitura foi seu filho, Joel Barroso (PSB), então presidente da Câmara.

A ação do Ministério Público Eleitoral (MPE) cita denúncias de que adversários, como Tomás Figueiredo (MDB), foram ameaçados e impedidos de fazer campanha. A sentença de 1ª instância, assinada pelo juiz Magno Gomes, menciona até uma ligação de um integrante do CV com ameaça de ataque ao cartório eleitoral da cidade.

De acordo com a decisão, o direito ao voto livre foi “sepultado” por coações e expulsões de eleitores, principalmente nos bairros Piracicaba e Pereiros. Um inquérito da Polícia Federal apontou que o CV enviou Daniel Claudino Sousa, conhecido como “DA30”, para coordenar as ameaças. A facção evitava citar Braguinha diretamente, mas usava a sigla “BG” para se referir a ele.

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