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Mariana Ferrer se forma em Direito com nota máxima ao usar seu próprio caso como tema de TCC

A defesa aconteceu seis anos após o crime e depois da criação de uma lei que leva seu nome, voltada à proteção de vítimas em julgamentos
Por Iôrran Freire
Atualizado há 11 meses
Tempo de leitura: 2 mins
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Em 2018, Mariana denunciou ter sido dopada e estuprada durante um evento em Florianópolis, quando trabalhava como promotora de festas. Foto: Reprodução/Instagram @maribferrer

Aprovada com nota máxima no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do curso de Direito da Faculdade Presbiteriana Mackenzie, a influenciadora Mariana Ferrer utilizou como tema do seu projeto final o próprio caso que a tornou símbolo de luta contra a violência institucional: “Estupro simbolicamente como crime de guerra à luz do caso Mariana Ferrer: o legado no avanço ao direito das vítimas e seu impacto na sociedade.”

A apresentação foi realizada no 9º período da graduação e aprovada com a nota 10 pela banca avaliadora. Em uma publicação nas redes sociais, Mariana dedicou o trabalho a outras vítimas de violência sexual: “Dedico este trabalho a todas as minhas irmãs e irmãos de luta e dor – as vítimas de violência sexual. Eu acredito em cada um de vocês”.

Do trauma à criação de uma lei federal

Em 2018, Mariana denunciou ter sido dopada e estuprada durante um evento em Florianópolis, quando trabalhava como promotora de festas. O acusado, o empresário André de Camargo Aranha, foi absolvido por falta de provas. 

O julgamento gerou forte reação pública ao expor a condução da audiência, marcada por ataques misóginos à vítima e pela chamada “revitimização secundária”, quando a própria Justiça contribui para o agravamento do sofrimento da vítima.

A indignação nacional levou à criação da Lei 14.245/2021, conhecida como Lei Mariana Ferrer, que estabelece punições a condutas abusivas contra vítimas e testemunhas durante julgamentos, e reforça a proteção da dignidade da pessoa em casos de crimes sexuais.

Hoje, Mariana convive com sequelas do trauma, como síndrome do pânico, fobia social e estresse pós-traumático. Ainda vive de forma reclusa e aguarda o desfecho do processo criminal, que está em fase de recurso nos tribunais superiores.

Apesar disso, ela diz encontrar força na trajetória acadêmica e relata a importância do convívio com profissionais com os quais aprende imensamente.Um dos seus desejos é que, com a sua futura profissão, consiga proporcionar o que não teve antes: acolhimento e proteção a todas as vítimas de crimes contra a dignidade sexual.

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