O governo do Japão suspendeu a importação de frango, ovos e derivados avícolas produzidos no Ceará. A medida foi adotada após a confirmação de um foco de gripe aviária em uma criação de subsistência no município de Quixeramobim, no Sertão Central cearense.
Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Agricultura, Florestas e Pesca do Japão, a suspensão vale para produtos com data de produção igual ou posterior a 18 de julho. Já os alimentos processados ou abatidos antes dessa data, desde que armazenados corretamente e com certificado sanitário, não entram na restrição.
O protocolo japonês é mais rigoroso que o de outros países importadores, que geralmente reagem apenas a casos registrados em granjas comerciais. Conforme explicou o diretor de Sanidade Animal da Agência de Defesa Agropecuária do Ceará (Adagri), Amorim Sobreira, em entrevista à Rádio O POVO CBN, o Japão adota uma postura preventiva mesmo diante de ocorrências pontuais em criações pequenas.
“O protocolo de importação lá do Japão diz que, na menor incidência dessa doença num criatório, seja de subsistência ou pequeno, já suspende imediatamente, porque eles não querem o mínimo de chance de doenças entrarem naquele país”, explicou.
O Ceará é considerado um polo estratégico na exportação de genética avícola, com destaque para matrizes de Galinha da Angola e ovos embrionados. A preocupação das autoridades locais é evitar que o vírus alcance granjas comerciais, o que poderia ampliar as restrições internacionais.
O caso em Quixeramobim foi atribuído, possivelmente, ao contato das aves domésticas com aves migratórias silvestres. Os animais compartilhavam uma mesma fonte de água.
Após a confirmação do foco, todas as aves da propriedade foram abatidas com uso de anestesia, seguindo protocolo humanitário, e enterradas em vala sanitária na própria área. Uma barreira sanitária foi instalada para desinfecção de veículos e pessoas.
Desde o último sábado (19), a Adagri realiza um trabalho intensivo de vigilância em um raio de até 10km ao redor da propriedade afetada. Até o momento, nenhuma outra ave apresentou sinais da doença. A expectativa é concluir o monitoramento até esta quinta-feira (24).
Caso nenhuma nova ocorrência seja registrada, os dados serão enviados à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) para restabelecer a confiança nos mercados internacionais.




