Durante a assinatura do decreto que regulamenta a lei de apoio a empresas cearenses afetadas pelo tarifaço dos Estados Unidos, na manhã desta quinta-feira (21), o governador Elmano de Freitas (PT) citou uma “força política” brasileira que atua nos EUA para aumentar as tarifas arbitrárias de Donald Trump.
No Palácio da Abolição, em Fortaleza, o governador deu detalhes sobre as ações adotadas pelo Governo para mitigar os impactos do tarifaço sobre empresas cearenses. O Brasil, entre os países atingidos pelas tarifas, segue com a maior taxa, de 50%. Segundo Elmano, contudo, esse não é o único diferencial do País.
“O Brasil tem uma diferença com outros países. Nós temos efetivamente uma força política no Brasil pedindo ao governo americano para aumentar as tarifas para o país”, pontuou o governador. “Em nenhum país do mundo tem uma força política nos Estados Unidos pedindo para o seu país ser prejudicado. Infelizmente, no Brasil nós temos e isso altera a condição, inclusive a mesa de negociação”.
E completou: “Mas eu espero que nós vamos poder superar essa dificuldade e que as empresas brasileiras possam efetivamente ser tratadas com a devida tranquilidade que nós esperamos da relação cordata que o Brasil tem historicamente com os Estados Unidos”.
A fala acontece um dia após o deputado federal, Eduardo Bolsonaro (PL-RJ), e o ex-presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), serem indiciados pela Polícia Federal (PF) sob a suspeita de obstrução do julgamento da trama golpista, em curso no Supremo Tribunal Federal (STF).
Apesar disso, Elmano destacou que o governo brasileiro, através do vice-presidente e ministro da Indústria e do Comércio, Geraldo Alckmin (PSB), continua buscando diálogo com os Estados Unidos para tratar de temas comerciais.
“O Brasil já tem uma função clara do presidente Lula, de que não vai tratar de questões políticas internas do Brasil que digam respeito à soberania do Brasil. A soberania do Brasil não está em negociação. Deve-se ter negociação para um equilíbrio econômico”, completou.
Entre as medidas adotadas e detalhadas pelo Governo estão a aquisição de crédito de exportação, redução dos encargos financeiros do Fundo de Desenvolvimento Industrial (FDI), subvenção econômica para empresas manterem seus negócios com os EUA e a compra direta de produtos alimentícios pelo Estado de itens que seriam exportados para o mercado americano.
Conforme Elmano, também será lançado um edital para a compra de produtos de empresas exportadoras do Ceará. Alguns desses itens, como o mel, será destinado à merenda escolar da rede estadual de ensino.




