Os áudios interceptados pela Polícia Federal e divulgados nesta quarta-feira (20) mostraram que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), avisaram ao pastor Silas Malafaia que, sem a aprovação do projeto de anistia aos envolvidos no 8 de janeiro, as tarifas de Donald Trump continuariam.
No áudio registrado em 13 de julho, Bolsonaro explica a situação e faz o alerta ao religioso. “Malafaia, o que eu mais tenho feito é conversar com pessoas mais acertadas, vamos assim dizer no tocante que, se não começar votando a anistia, não tem negociação sobre tarifa”, disse.
O ex-mandatário também falou sobre a ação de outros políticos que buscaram negociar uma redução das tarifas para estados, assim como fez o governador de São Paulo e aliado de Bolsonaro, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Para Jair, não há conversas sem o andamento do projeto de anistia pelo Congresso.
“Não adianta um ou outro governador querer ir pros Estados Unidos, ir pra embaixada, para não sei aonde quer que ele vá, tentar sensibilizar. Não vai seguir. Da minha parte, é por aí, pô”.
Em tom de confiança, ele completou afirmando que, caso seja estabelecida a anistia, as tarifas americanas serão “resolvidas”. “Resolveu a anistia, resolveu tudo. Não resolveu? Já era”, concluiu.
O relatório final da investigação foi entregue ao Supremo Tribunal na última sexta-feira (15) e, segundo a PF, há indícios de que os dois cometeram crimes de coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado democrático de Direito. O pastor Silas Malafaia, apoiador de Bolsonaro, também foi alvo de operação da PF e teve o celular e o passaporte apreendidos.




