O ícone da cultura marajoara, Damasceno Gregório dos Santos, conhecido como Mestre Damasceno, morreu nesta terça-feira (26), aos 71 anos, em Belém. O falecimento ocorreu justamente no Dia Municipal do Carimbó, expressão artística da qual foi um dos grandes símbolos.
Diagnosticado com câncer em estágio avançado, o artista estava internado desde junho e chegou a passar por tratamento intensivo contra pneumonia e insuficiência renal. O governo do Pará decretou luto oficial em homenagem à sua trajetória.
“É com grande tristeza que recebemos a notícia da morte do querido Mestre Damasceno. Foi uma honra homenageá-lo em vida na Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes deste ano. Seu legado na cultura paraense é imensurável e seguirá tocando gerações. Meus sentimentos aos fãs, amigos e familiares. Que Deus os conforte neste momento de dor”, lamentou o governador Helder Barbalho (MDB).
Desde o fim de junho, Damasceno estava hospitalizado em Belém. Inicialmente, foi atendido no Hospital Jean Bittar e, em seguida, transferido para o Hospital Ophir Loyola, referência no tratamento oncológico. No local, permaneceu internado na UTI, onde enfrentava complicações de saúde agravadas pela metástase do câncer, que atingiu pulmão, fígado e rins.
Reconhecimento em vida
Apesar das limitações impostas pela doença, Mestre Damasceno seguia sendo celebrado em vida. Em agosto, foi um dos homenageados da 28ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, realizada em Belém. Na ocasião, também foi lançado o livro “Mestre Damasceno e as Cantorias do Marajó”, de Antonio Carlos Pimentel Jr., destinado ao público infanto-juvenil e inspirado nas histórias de vida do artista.
Poucos meses antes, em maio, o marajoara recebeu a Ordem do Mérito Cultural (OMC), maior honraria concedida pelo Ministério da Cultura. Em discurso emocionante durante a cerimônia, destacou suas origens quilombolas e os mais de 50 anos dedicados às tradições culturais na Ilha do Marajó.
Nascido em 1954 na Comunidade Quilombola do Salvá, em Salvaterra, Damasceno teve a vida transformada ainda jovem: aos 19 anos, perdeu a visão em um acidente de trabalho. Encontrou na música e nas expressões populares a força para reinventar seu destino. Tornou-se referência não apenas no carimbó, mas também no Búfalo-Bumbá e em manifestações que mantêm viva a memória ancestral do povo marajoara.




