A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) retoma, nesta terça-feira (9), o julgamento do chamado Núcleo 1 da trama golpista, que tem como réus o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete aliados.
A análise do caso teve início na semana passada, com as sustentações das defesas e o parecer do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que se manifestou pela condenação de todos os acusados.
Agora, os ministros do colegiado iniciam a votação que poderá resultar em penas superiores a 30 anos de prisão para Bolsonaro e os demais réus. Foram reservadas as sessões dos dias 9, 10, 11 e 12 de setembro para a conclusão do julgamento.
Entre as acusações, está a participação no chamado plano “Punhal Verde e Amarelo”, que previa o sequestro e assassinato do ministro Alexandre de Moraes, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente, Geraldo Alckmin.
A denúncia também aponta a produção da “minuta do golpe”, documento que teria contado com o conhecimento de Bolsonaro e serviria de base para decretar medidas de estado de defesa e de sítio no país, numa tentativa de reverter o resultado das eleições de 2022 e impedir a posse de Lula. Além disso, o Ministério Público relaciona os réus aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Os réus
- Jair Bolsonaro – ex-presidente da República;
- Alexandre Ramagem – ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
- Almir Garnier – ex-comandante da Marinha;
- Anderson Torres – ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;
- Augusto Heleno – ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);
- Paulo Sérgio Nogueira – ex-ministro da Defesa;
- Walter Braga Netto – ex-ministro de Bolsonaro e candidato à vice na chapa de 2022;
- Mauro Cid – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.
Próximos passos
Na terça-feira (9), às 9h, o presidente da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cristiano Zanin, abrirá a sessão. Em seguida, o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, iniciará a votação.
Moraes deve analisar primeiro as questões preliminares levantadas pelas defesas de Jair Bolsonaro e dos demais acusados. Entre elas, estão pedidos de nulidade da delação premiada do ex-ajudante de ordens Mauro Cid, alegações de cerceamento de defesa, solicitações para retirar o processo do STF e requerimentos de absolvição. O relator poderá decidir se essas questões serão votadas separadamente antes do mérito ou se serão apreciadas em conjunto.
Após essa etapa, Moraes apresentará seu posicionamento sobre o mérito, definindo se condena ou absolve os réus e, em caso de condenação, qual será a pena.
A sequência de votos seguirá a ordem: Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e, por último, Cristiano Zanin. A decisão será formada pela maioria simples, ou seja, três votos em cinco.
Prisão e recursos
Mesmo em caso de condenação, a prisão dos acusados não será imediata. A execução da pena só poderá ocorrer após a análise dos recursos. Caso o placar seja de 4 a 1 pela condenação, os réus ainda terão direito a apresentar um recurso adicional na própria Primeira Turma, que poderá adiar a prisão.
Com a publicação do acórdão, as defesas poderão ingressar com embargos de declaração, recurso destinado a esclarecer eventuais omissões ou contradições no texto do julgamento, mas que raramente alteram o resultado. Para levar o caso novamente a julgamento e transferi-lo ao plenário do STF, seria necessário que pelo menos dois ministros votassem pela absolvição, estabelecendo um placar mínimo de 3 a 2.
Veja os dias e horários do julgamento
- 9 de setembro – 9h às 19h
- 10 de setembro – 9h às 12h
- 11 de setembro – 9h às 19h
- 12 de setembro – 9h às 19h




