A condenação de Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus pela tentativa de golpe de Estado movimentou as redes sociais de políticos cearenses de direita, que recorreram à tese da perseguição política por parte da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Alguns chegaram a classificar o placar no colegiado como “vingança”.
O ex-presidente foi sentenciado a 27 anos e três meses de prisão em regime inicial fechado, além do pagamento de multa. Bolsonaro foi enquadrado nos cinco crimes apontados na denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR): golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
Através de publicação nas redes sociais, o deputado estadual Carmelo Neto, presidente do PL Ceará até o fim deste mês, acusou ministros do Supremo de “apenas carimbar” da “narrativa” que teria sido criada por Alexandre de Moraes.
“Isso não é justiça, é perseguição, é farsa política, é narrativa, tudo isso pra tirar Bolsonaro do jogo político da eleição de 2026. Mas eles esquecem, isso não é um fla-flu, é pela nossa liberdade, é pelo nosso direito de ir e vir, pela nossa existência. Presidente Bolsonaro, nós estamos com o senhor”, disse. Carmelo ainda afirmou que há “brecha” na condenação do STF e que o “jogo não acabou”.
O deputado federal André Fernandes (PL) foi mais sucinto e compartilhou uma foto ao lado do ex-capitão em ato na Avenida Paulista, em São Paulo, e escreveu: “O jogo ainda não acabou. A fase ruim vai passar!”.
O pai de André, deputado estadual Alcides Fernandes (PL), por outro lado, não mediu esforços para criticar a decisão. Nas redes sociais, o político compartilhou um vídeo em formato de cordel, no qual traçou um paralelo entre a condenação de Bolsonaro e a do presidente Lula (PT), sentenciado em 2017 a 9 anos e 6 meses de prisão na ação penal envolvendo o triplex no Guarujá.
“Um tentaram achar a culpa, do outro arrumaram desculpa fabricada. Quem roubou o pão do povo, hoje ostenta e dá risada. Mas o homem que combateu a quadrilha organizada vira alvo de corrente de sentença arquitetada”, rimou Alcides. Recentemente, Alcides foi alvo de críticas por declarar que não adianta orar pela morte de Lula e afirmar que já orou “foi muito”, mas que “não dá certo”.
Já o deputado estadual Sargento Reginauro (União Brasil) definiu o julgamento do ex-presidente e de outros sete réus como “vingança”. Segundo ele, tudo foi “tramado pelo PT e a esquerda brasileira”.
“Nós estamos condenando pessoas por um golpe que não aconteceu. O fracasso completo do judiciário brasileiro hoje é assinado por uma parte da Suprema Corte. Mas a guerra não está perdida, o ano que vem está aí e a gente precisa dar uma resposta nas urnas e dizer um basta a todo esse tipo de abuso que está sendo cometido no Brasil”, declarou Reginauro.




