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Casos de cegueira acendem alerta sobre distribuição de bebidas adulteradas nos estabelecimentos

Segundo as vítimas, a substância tóxica foi encontrada em bebidas alcoólicas de boa qualidade, como gin, uísque, vodca e outros destilados
Por Driccia Hellen
Atualizado há 8 meses
Tempo de leitura: 4 mins
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Após esses episódios, a Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe) e a Associação Brasileira de Neuro-oftalmologia (ABNO) alertaram sobre essa situação. Foto: CBO/Divulgação

Diversos casos de intoxicação por metanol, após a ingestão de bebidas alcoólicas adulteradas, foram registrados no último mês no Estado de São Paulo. Ao menos nove pessoas foram confirmadas com a intoxicação. Entre elas duas morreram, e 16 estão sob suspeita.

Segundo as vítimas, a substância tóxica foi encontrada em bebidas alcoólicas de boa qualidade, como gin, uísque, vodca e outros destilados, comprados em bares nas cidades de São Paulo.

Após esses episódios, a Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe) e a Associação Brasileira de Neuro-oftalmologia (ABNO) alertaram sobre essa situação. 

Segundo a Abrabe, esses casos estão diretamente ligados ao mercado ilegal de bebidas. Neste ano, uma operação de combate à comercialização de produtos ilícitos, acompanhada pela Abrabe, apreendeu mais de 160 mil produtos falsificados.

Segundo a nota, “[a entidade] atua fortemente no combate ao mercado ilegal de bebidas, na orientação sobre o cumprimento das exigências técnicas e regulatórias do setor e na promoção do consumo responsávela. […] Abrabe reitera o compromisso com a proteção do consumidor e com a defesa do mercado legal, seguro e responsável e seguirá contribuindo com os Governos Federal e Estadual para proteção da população”.  

De acordo com a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), do Ministério da Justiça e da Segurança Pública, a quantidade de casos de intoxicação por metanol foi classificado pelas autoridades como “fora do padrão”.

No último sábado, o MJSP recomendou aos estabelecimentos que comercializam bebidas alcoólicas em São Paulo que façam compras seguras e confiram os produtos.

Em nota enviada ao Fantástico, a Secretária Estadual da Saúde recomenda que “bares, empresas e demais estabelecimentos redobrem a atenção quanto à procedência dos produtos oferecidos, e que a população adquira apenas bebidas de fabricantes legalizados, com rótulo, lacre de segurança e selo fiscal, evitando opções de origem duvidosa e prevenindo casos de intoxicação que podem colocar a vida em risco”.

O metanol é um produto químico industrial altamente tóxico e é usado em fluidos anticongelantes e de limpadores de para-brisa. Sua ingestão pode causar náusea, tontura, cegueira e até a morte.

Mesmo com pouca quantidade a ingestão, inalação ou até mesmo o contato com a substância pode ser prejudicial. De início os efeitos da intoxicação podem ser semelhantes aos efeitos das bebidas alcoólicas o que pode levar ao difícil reconhecimento da intoxicação por metanol.

Os efeitos da substância acontecem após horas, quando o corpo humano tenta eliminar o líquido estranho do organismo, através de sua metabolização no fígado. Durante o processo são gerados subprodutos tóxicos, chamados formaldeído, formiato e ácido fórmico, que se acumulam atacando nervos e órgãos.

Após a identificação dos efeitos do envenenamento é recomendado que a pessoa procure urgentemente um hospital para tratamento imediato, evitando danos mais graves. 

Casos de intoxicação por metanol 

A designer de interiores Rhadarani Domingos perdeu a visão e está internada após relatar um mal estar depois de beber três caipirinhas de frutas vermelhas com maracujá e vodka. Segundo ela, as bebidas não apresentaram nenhum gosto diferente. “Era uma região nobre, nenhum boteco de esquina”, disse.

Radharani foi levada a UTI com convulsões e foi entubada após 21 dias, conforme dito por sua irmã. A família espera que a designer consiga algum tratamento que faça com que ele volte a enxergar.

Outro caso, aconteceu com Rafael, internado há 28 dias após consumir doses de gin com energético e gelo com sabor comprada em um estabelecimento próximo de sua casa. 

De acordo com a mãe do jovem, a substância já saiu do sangue do filho, no entanto o metal já havia causado danos irreversíveis a seu cérebro e sua visão. 

Além de Rafael, Diogo Marques, um dos três amigos que estava bebendo com ele no dia, também foi internado apresentando sintomas similares. “Eu acordei desesperado. Abri o olho e não estava enxergando nada. Tudo preto e uma dor de cabeça forte”, disse Diogo em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, deste domingo (28). 

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