O número de mortes por suspeita de intoxicação por metanol em São Paulo aumentou para cinco. Ao todo, estão sendo investigadas 22 ocorrências. Os números foram atualizados pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) nesta terça-feira (30). O gestor também anunciou a criação de um gabinete de crise para investigar os casos.
Durante a coletiva de imprensa, Tarcísio também anunciou a interdição dos bares onde foram distribuídas as bebidas alcoólicas com a substância. Segundo o governador, a ideia é investigar a origem dos produtos comercializados pelos locais e assim, identificar os suspeitos de adulterar as bebidas.
“Todo mundo tem a sua responsabilidade nesse processo. O comerciante tem que saber que tem que comprar um produto de procedência, e a gente vai ver isso com o batimento das notas fiscais”, afirmou Tarcísio de Freitas.
Mais cedo, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, anunciou que a Polícia Federal foi solicitada para investigar uma suposta rede de distribuição de bebidas alcoólicas adulteradas.
Lewandowski também explicou que acionou a Secretaria Nacional do Consumidor para investigar crimes, bem como serão tomadas as medidas cabíveis para ressarcir as pessoas que tiveram algum tipo de dano com a ingestão desses produtos. No último sábado (27), o MJSP recomendou aos estabelecimentos que comercializam bebidas alcoólicas em São Paulo que façam compras seguras e confiram os produtos.
Intoxicação por metanol
Alguns relatos sobre reações após o consumo de bebidas foram determinantes para a identificação da substância, que afeta principalmente as atividades cerebrais, podendo causar desde perda de visão nos pacientes até o óbito.
Um dos casos divulgados foi o da designer de interiores Rhadarani Domingos, que perdeu a visão e está internada após ingerir três caipirinhas de frutas vermelhas com maracujá e vodka em um bar no Jardins, bairro nobre de SP. Segundo ela, as bebidas não apresentaram nenhum gosto diferente. “Era uma região nobre, nenhum boteco de esquina”, disse.
Em outro caso, o jovem Rafael está entubado há 29 dias após consumir doses de gin com energético comprado em um estabelecimento próximo de sua casa. De acordo com a mãe do jovem, a substância já saiu do sangue do filho, no entanto o metal já havia causado danos irreversíveis a seu cérebro e sua visão.
Risco de epidemia
A Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad) emitiu um alerta sobre o risco de epidemia dos casos de intoxicação através do consumo de bebidas alcoólicas adulteradas, pois a ingestão acidental ou intencional de metanol leva a intoxicações graves e potencialmente fatais.
A Senad afirmou que o cenário de adulteração é particularmente relevante do ponto de vista da saúde pública, pois episódios dessa natureza frequentemente resultam em surtos epidêmicos com múltiplos casos graves e elevada taxa de letalidade, afetando grupos populacionais vulneráveis e exigindo resposta rápida das autoridades sanitárias.




