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Economia

Dólar e Bolsa caem, com ligação entre Lula e Trump nos holofotes

Dólar cai 0,4% nesta segunda (6), cotado a R$ 5,314, após ligação entre Lula e Trump; falas do BC e cenário político global elevam percepção de risco no exterior
Por Luiza Cardoso
Atualizado há 8 meses
Tempo de leitura: 6 mins
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A conversa com Lula por telefone foi "muito boa", afirmou Trump em postagem na rede Truth Social. Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O dólar está em queda nesta segunda-feira (6), com investidores repercutindo a ligação entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump pela manhã.

Falas do presidente do BC (Banco Central), Gabriel Galípolo, e a paralisação do governo dos Estados Unidos também seguem no radar.

Às 14h14, a moeda recuava 0,4%, a R$ 5,314, na contramão do exterior. Lá fora, a renúncia do novo primeiro-ministro da França e a possibilidade da eleição de uma premiê nacionalista no Japão têm aumentado a percepção de risco político e impulsionado a divisa norte-americana em relação às de economias fortes.

Já a Bolsa recuava 0,25%, a 143.828 pontos.

A conversa com Lula por telefone foi “muito boa”, afirmou Trump em postagem na rede Truth Social. Vários assuntos foram discutidos, segundo ele, mas os principais foram economia e comércio.

“Teremos mais conversas e nos encontraremos em um futuro não muito distante, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Gostei muito da ligação. Nossos países irão prosperar juntos!”, escreveu.

De acordo com o Palácio do Planalto, Lula pediu para que Trump retire o tarifaço imposto ao Brasil e solicitou a suspensão de “medidas restritivas aplicadas contra autoridades brasileiras”, o americano cassou vistos de auxiliares do petista e autorizou sanções financeiras contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Ainda segundo o Planalto, Trump escalou seu secretário de Estado, Marco Rubio, para dar sequência às negociações sobre o tema. Ambos líderes concordaram ainda em realizar uma reunião presencial em breve, e Lula sugeriu a cúpula da Asean (Associação de Nações do Sudeste Asiático), no final de outubro na Malásia, como uma opção.

Ainda segundo o comunicado, Lula se colocou à disposição para viajar aos Estados Unidos e encontrar-se com Trump.

“O presidente Trump designou o secretário de Estado Marco Rubio para dar sequência às negociações com o vice-presidente Geraldo Alckmin, o chanceler Mauro Vieira e o ministro da Fazenda Fernando Haddad. Ambos os líderes acordaram encontrar-se pessoalmente em breve. O presidente Lula aventou a possibilidade de encontro na Cúpula da Asean, na Malásia; reiterou convite a Trump para participar da COP30, em Belém (PA); e também se dispôs a viajar aos Estados Unidos”, afirmou o Palácio do Planalto.

A ligação afetou o apetite dos investidores no mercado cambial, e as “falas” de Trump após a conversa deram ânimo extra, levando a moeda à mínima de R$ 5,309″, diz Marcio Riauba, chefe da mesa de operações da StoneX Banco de Câmbio.

O mercado também pesa as falas de Gabriel Galípolo, que afirmou em evento em São Paulo que a dispersão da inflação tem recuado depois de atingir um nível “bastante elevado” em abril.

Esse processo, porém, tem se concentrado nos preços de bens, com a inflação de serviços seguindo em nível incompatível com a meta. O presidente do BC ainda destacou que as expectativas inflacionárias do mercado apontam para uma inflação acima do alvo de 3% até 2028, segundo o Boletim Focus, um indicativo “bastante incômodo” para a autoridade monetária.

A meta oficial tem margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Galípolo reiterou que o BC persegue o centro de 3%, vislumbrando a manutenção da taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, em um patamar restritivo por um período prolongado a fim de atingir o objetivo.

A perspectiva de juros altos por mais tempo favorece a renda fixa brasileira, ainda que o Ibovespa tenha batido sucessivos recordes nominais no mês de setembro. A injeção de ânimo na renda variável doméstica deriva da chegada de investidores estrangeiros aqui, depois que o Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) cortou os juros pela primeira vez em 2025 na última reunião, em setembro.

A continuidade do ciclo de cortes, no entanto, depende da evolução da economia norte-americana. O mercado espera novas reduções até dezembro, mas a paralisação do governo limita a visibilidade dos agentes, já que a divulgação de novos dados oficiais está suspensa. O relatório de emprego “payroll”, por exemplo, estava previsto para sexta-feira passada e foi adiado indefinidamente.

Sem os números oficiais, o mercado se ampara em publicações laterais e em falas de autoridades. Na quarta, a ata da última reunião do Fed será publicada, e investidores seguirão atentos a sinais sobre os próximos passos da autoridade.

A agenda da semana é relativamente leve, na visão de Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad. “Destaque para as expectativas de inflação do Fed de Nova York na terça-feira, a divulgação da ata do Fed na quarta e o índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan na sexta. Ao longo da semana, vários dirigentes do Fed discursam, entre eles [o presidente] Jerome Powell, podendo oferecer novas pistas sobre a trajetória da política monetária”, afirma.

A isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 por mês também segue no radar dos investidores. O projeto ainda precisa passar pelo Senado Federal antes de começar a valer em 2026, e a expectativa é que ele seja aprovado sem grandes intercorrências.

O projeto levantou temores de ingerência fiscal no ano passado, o que, entre outros fatores, levou o dólar ao recorde histórico de R$ 6,20. Mais do que a isenção em si, o mercado temia que o texto fosse desidratado na Câmara sem uma compensação para a perda de receita, desequilibrando as contas públicas e impondo dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida do governo.

Mas, mesmo com a medida compensatória, um imposto mínimo de 10% para grandes fortunas, investidores seguem temerosos. Circulam pelas mesas de operação rumores de que o governo Lula estaria estudando a possibilidade de um programa federal para implementar tarifa zero em transporte coletivo de passageiros em todo o Brasil.

Há o receio de que iniciativas como essa possam se multiplicar com a proximidade do ano eleitoral, gerando mais gastos para o governo.

Com informações da Folhapress.

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