A família do cantor Gilberto Gil entrou com um processo judicial contra o padre Danilo César, da paróquia São José, em Campina Grande (PB), por danos morais, após o sacerdote ser acusado de “intolerância religiosa e racismo religioso”.
Na ação judicial assinada por Gilberto Gil, sua mulher, Flora; Nara, Marília, Bela, Maria, Bem e José, irmãos de Preta; e Francisco, filho de Preta, é pedida uma indenização de R$ 370 mil.
O caso deu início dois dias após a morte da cantora Preta Gil, vítima de câncer colorretal, durante homilia transmitida ao vivo no canal do YouTube da Paróquia Areial, no dia 27 de julho deste ano.
“Deus sabe o que faz. Se for para morrer, vai morrer […] Qual o nome do pai de Preta Gil? Gilberto. [Ele] fez uma oração aos orixás. Cadê esses orixás, que não ressuscitaram Preta Gil? Já enterraram?”, declarou o padre.
Em continuação ao seu momento de sermão, o padre classificou as religiões afro-brasileiras como “forças ocultas” e completou: “Eu só queria que o diabo viesse e levasse”.
A apresentadora e chef Bela Gil, irmã da cantora, veio às redes sociais se pronunciar sobre as polêmicas declarações feitas pelo padre Danilo César. “É cada absurdo que a gente precisa ouvir… Seu padre desrespeitoso”, pontuou.
O vídeo foi tirado do ar após uma associação de religiões de matriz afro-indígena realizar uma denúncia e abrir o inquérito contra o sacerdote.
Em nota, a Associação Cultural de Umbanda, Candomblé e Jurema Mãe Anália Maria de Souza repudiou as falas do padre. “Deus é amor e respeito ao próximo, onde infelizmente esse senhor que se diz sacerdote prega o ódio e o preconceito e ainda amedronta em pleno culto em sua igreja”, ressaltou.
A Diocese de Campina Grande também se manifestou a respeito da polêmica após a alta repercussão do caso. Segundo eles: “o sacerdote, através da assessoria jurídica, irá prestar todos os esclarecimentos necessários aos órgãos competentes”.
“A Diocese reitera seu compromisso com os direitos constitucionais da liberdade de crença e de culto, da igualdade e não discriminação religiosa, do direito à honra e à imagem dos mortos e do princípio da dignidade da pessoa humana”, completou o comunicado.
Na ação judicial, a família de Gilberto reforça que a “a homilia também foi reproduzida nas redes sociais, o que acabou por incentivar uma corrente de comentários de terceiros, sendo a causa de uma onda de racismo religioso e intolerância religiosa”. Além de revelar já ter enviado uma notificação extrajudicial à Diocese exigindo uma retratação pública e punição ao padre Danilo César, no entanto, o documento foi ignorado.
Preta Gil morreu no dia 20 de julho, em Nova York, nos Estados Unidos, vítima de câncer colorretal. A cantora sofria com a doença desde 2023 e procurava diversas alternativas para seu tratamento.




