O governador do Amazonas Wilson Lima (União Brasil) determinou a abertura de uma sindicância para identificar quem autorizou o uso de linguagem neutra em peças de divulgação de um evento financiado pelo governo do Amazonas. A reação ocorreu após um banner do Festival Amazonas de Música exibir a saudação “Sejam bem-vindes”, prática que contraria a orientação oficial da gestão estadual e levou o governador a afirmar publicamente que “isso não vai se repetir”.
O episódio ganhou repercussão nas redes sociais após Lima publicar nota e vídeo reforçando que a comunicação institucional deve seguir exclusivamente as regras consolidadas da Língua Portuguesa. Segundo ele, qualquer desvio das normas será investigado e corrigido, já que o uso de construções como “todes”, “amigues” ou “elu” não representa as diretrizes do governo estadual.
Ao comentar o caso, o chefe do Executivo estadual afirmou que a linguagem neutra não condiz com “as diretrizes, os valores, nem a orientação” de sua gestão. A sindicância foi aberta para identificar quem autorizou a vinculação do nome do governo ao evento com expressões que divergem da norma culta.
“Linguagem neutra não representa as diretrizes, os valores, nem a orientação do nosso governo. Já determinei a abertura de uma sindicância para apurar as responsabilidades sobre o uso desse tipo de linguagem em comunicação oficial. Isso não vai se repetir”, escreveu o governador nas redes sociais.
Decisão de Lula intensifica o debate sobre a língua
A discussão sobre o tema ocorre no mesmo momento em que o governo federal estabeleceu uma política de proibição ao emprego de linguagem neutra em documentos públicos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou a Lei nº 15.263/2025, que integra a política de “linguagem simples” e determina que órgãos da União, estados e municípios sigam rigidamente a norma culta, o que inclui a vedação a novas flexões de gênero.
A legislação federal busca padronizar comunicações oficiais, exigindo clareza, frases diretas e eliminação de termos considerados imprecisos. O texto é explícito ao proibir expressões que alterem a flexão tradicional da língua, como “todes” e “elu”, e reforça a vinculação da administração pública ao Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp) e ao Acordo Ortográfico.




