Aos 70 anos, Maria de Fátima Abade Barbosa chegou ao Auditório Babaçu da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT) para viver um momento aguardado: a defesa de seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) na Licenciatura em Educação do Campo Artes, do Centro de Educação, Humanidades e Saúde (CEHS). A apresentação coroou uma caminhada que começou muitos anos antes, quando ela decidiu retomar os estudos após um longo período afastada da escola.
O trabalho, intitulado “Nunca é Tarde para Aprender: A história de vida de uma mulher preta que foi excluída do processo educacional de ensino”, reconstrói sua trajetória como mulher negra e camponesa, filha de quebradeira de coco babaçu, e revisita a forma como a educação atravessou e transformou diferentes fases de sua vida.
A orientação foi conduzida pela professora Iara Rodrigues da Silva, que acompanhou de perto a construção do memorial. “Orientar este trabalho foi acompanhar uma travessia de coragem, memória e ancestralidade. Dona Fátima nos ensina que aprender é um gesto de resistência e que a universidade se fortalece quando acolhe histórias como a sua. Seu memorial é um documento vivo, uma escrita que cura e inspira.”
A banca examinadora foi formada pelas professoras Lindiane de Santana e Mara Pereira da Silva, que, ao comentarem o texto apresentado, afirmaram: “O texto de Maria de Fátima Abade Barbosa […] é um documento de força, de fé e de liberdade. É mais do que um trabalho de conclusão, é um ato de resistência, uma poesia encarnada em prosa, uma travessia escrita com lágrimas, coragem e dignidade”.
Com a defesa aprovada, ela se aproxima da conclusão da licenciatura e encerra um ciclo que começou com o desejo simples de voltar a estudar.
