A Ferrovia Transnordestina deve iniciar nesta semana o transporte de cargas no trecho entre Bela Vista do Piauí (PI) e Iguatu (CE), após quase duas décadas entre obras e entraves jurídicos. A operação marca a entrada em funcionamento da linha férrea, ainda em caráter experimental, com a condução de uma composição formada por 20 vagões carregados de milho ao longo de um percurso de 585 km.
As informações foram divulgadas pela Transnordestina Logística S.A. (TLSA), responsável pela construção e pela operação da ferrovia. Segundo a empresa, apesar do início das viagens, ainda não foram divulgados dados sobre o volume total que será transportado, os clientes envolvidos nem a frequência das composições, já que o serviço segue em fase de comissionamento.
Em nota, a TLSA informou que o transporte só foi possível após a emissão da Licença de Operação (LO) pelo Ibama, concedida no dia 11 de dezembro. “O início efetivo do transporte comissionado será programado junto com os Governos Federal, do Ceará e do Piauí”, informou a companhia.
A primeira viagem estava prevista para ocorrer no dia 24 de outubro, mas foi suspensa na véspera por falta da autorização ambiental. O aval do Ibama saiu após quase dois meses de análise, liberando o início das operações experimentais da ferrovia.
Iniciada em 2006, durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a Transnordestina é considerada um dos maiores projetos de infraestrutura ferroviária do país. O plano original prevê a conclusão total até 2029, conectando o município de Eliseu Martins (PI) ao Porto do Pecém, com investimento estimado em R$ 15 bilhões.
Atualmente, pouco mais da metade da ferrovia está pronta para uso. Dos mais de 1,2 mil km previstos no projeto, 56,3% já estão totalmente concluídos e aptos para operação em fase de testes. O restante se encontra em diferentes estágios de execução ou ainda aguardam contratação.
A chamada fase 1 do empreendimento registra 78% de avanço físico. Nessa etapa, 676 km da linha principal já foram finalizados, enquanto outros 280 km seguem em obras distribuídas em seis lotes.
Segundo a empresa, a fase 1 deve ser concluída até 2027, permitindo a ligação entre São Miguel do Fidalgo, no Piauí, e o Porto do Pecém, no Ceará. Já a fase 2, com pouco mais de 150 km de extensão em território piauiense, tem previsão de retomada das obras no primeiro semestre do próximo ano e conclusão estimada para 2028.
Quando finalizada, a ferrovia deverá ter capacidade para transportar até 33 milhões de toneladas anuais, atendendo mais de 50 municípios em três estados do Nordeste. A expectativa é que o modal ferroviário reduza significativamente o fluxo de caminhões nas rodovias, podendo substituir o transporte equivalente a quase 400 veículos de carga por viagem.




