No futebol, muitas histórias começam na rua, entre amigos e familiares. A da zagueira Emely, do Ceará, também nasceu assim, de forma simples, mas com um sonho que cresceu com o tempo.
Neste Dia Internacional da Mulher, a trajetória da defensora representa a luta de muitas atletas que precisaram vencer barreiras para ocupar seu espaço dentro de campo. Desde muito cedo, Emely já demonstrava que o futebol fazia parte de quem ela era.
“Não foi uma decisão. A gente acaba pertencendo ao futebol. Eu comecei a jogar muito cedo, com uns oito anos, praticava na rua com meus primos e quando vi já estava fazendo parte de um time”, declarou a atleta.
Mas o caminho até chegar ao futebol profissional não foi simples. Assim como muitas meninas que sonham com o esporte, ela também enfrentou o preconceito dentro de casa e fora dela.
“Desde sempre, a minha própria mãe falava: ‘para com isso, isso não é coisa de menina, vai fazer balé ou brincar de boneca’. E eu deixava claro que queria brincar de futebol”, afirmou Emely.
Com o tempo, a paixão falou mais alto e a família passou a enxergar o futebol de outra forma. O apoio se tornou essencial para que o sonho continuasse vivo.
“Depois que eu entrei no clube, eles me apoiaram de todas as formas, tanto financeiramente, que era a maior dificuldade e também me levavam para os jogos e treinos.”
Machismo e superação dentro do futebol
Mesmo com o crescimento do futebol feminino, o preconceito ainda faz parte da rotina de muitas atletas. Emely lembra que os comentários machistas eram frequentes durante a sua trajetória.
“Muita gente falava: ‘isso é coisa de homem, isso não vai te garantir nada’. Mas eu não desisti. Muitas vezes consegui me sobressair quando jogava com meninos e depois eu que ficava tirando onda com eles”, disse ela em entrevista exclusiva para o Futebora.
Para ela, a melhor resposta sempre veio dentro de campo: “Eu não bato de frente com o que falam, mas dentro de campo procuro trazer resultados. Assim eu calo a boca das pessoas que me criticam.”
A defensora acredita que ser mulher no futebol exige ainda mais força e determinação. Em um esporte historicamente dominado por homens, a cobrança acaba sendo maior.
Segundo Emely, a mulher no futebol precisa provar duas vezes mais seu valor para conquistar respeito. Além das críticas sobre desempenho, muitas vezes os comentários também tentam diminuir o mérito das atletas.
Ainda assim, a zagueira reforça que o espaço das mulheres no esporte está crescendo e que cada vez mais atletas estão mostrando que pertencem ao futebol.
“Acredito que alguns homens ainda vivem em uma bolha e acham que o espaço é totalmente deles, como foi por muito tempo. Mas hoje estamos ocupando e procurando nosso espaço, porque podemos estar onde queremos estar, assim como eles”, finalizou.




