A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) foi eleita nesta quarta-feira (11) presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, tornando-se a primeira mulher trans a comandar o colegiado.
Durante seu discurso,ela afirmou que as mulheres brasileiras não estão preocupadas com quem está na cadeira, mas sim em como vão salvar suas vidas.
A parlamentar destacou que pretende priorizar o avanço de propostas voltadas ao combate à violência de gênero e à ampliação das políticas públicas para mulheres. Erika Hilton também afirmou que a comissão deverá tratar das diferentes realidades femininas, defendendo que o colegiado atue em favor de todas as mulheres, “sem exceção, na sua dignidade e na sua pluralidade”.
Entre as pautas mencionadas pela deputada estão o enfrentamento à misoginia e a discussão sobre a regulação das plataformas digitais para combater conteúdos considerados nocivos, como discursos ligados à cultura “red pill” na internet. Segundo a parlamentar, a comissão terá papel importante no debate sobre o impacto desses conteúdos na violência e na discriminação contra mulheres.
“Não aceitamos mais continuar invisibilizadas, não aceitamos mais ter nossas identidades violadas, não queremos viver no primeiro país do mundo que nos mata com um tiro na cara, arrancando nosso coração, nos arrastando na via pública”, disse.
Com a eleição, Erika Hilton também se torna a primeira mulher trans a presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara. A votação ocorreu em dois turnos: no primeiro, o resultado não atingiu a maioria necessária; já no segundo, a deputada conquistou 11 votos favoráveis, garantindo a presidência do colegiado.
Deputadas de oposição lamentaram a eleição de Erika Hilton e afirmaram que a comissão deveria ser presidida por uma mulher cisgênero. Elas também criticaram o que chamaram de “ideologização” da comissão.
“Não podemos concordar com a entrega desta comissão, que deveria zelar pela dignidade da mulher, da vida e da família, a uma pauta que desvirtua a própria essência feminina”, disse Chris Tonietto (PL-RJ).




