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O que esperar do governo de Javier Milei, novo presidente eleito da Argentina

Por Isabela Santana
Atualizado há 3 anos
Tempo de leitura: 3 mins
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Com 53 anos, o deputado de Buenos Aires baseou sua campanha no apelo por uma renovação política na Argentina. (Foto: Reprodução/Instagram @javiermilei)

O candidato de direita Javier Milei será o futuro presidente da Argentina pelos próximos quatro anos. O economista foi eleito na noite deste domingo (19) com 56% dos votos, contra 44% de Sergio Massa, atual ministro da Economia e candidato apoiado pelo governo, este que havia vencido 4 das últimas 5 eleições no país.

Com a vitória, Milei comemorou ser “o primeiro presidente libertário da história do mundo”. Ao votar no início da tarde, o candidato da coalizão La Libertad Avanza disse que o momento era de esperança, para impedir o que chamou de “continuidade da decadência”.

Pelas redes sociais, sem citar o nome de Milei, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desejou sorte ao próximo governo. “A Argentina é um grande país e merece todo o nosso respeito. O Brasil sempre estará à disposição para trabalhar junto com nossos irmãos argentinos”.

Uma boa relação não é exatamente esperada entre os dois. Milei já chamou Lula de “comunista” e “corrupto” em vídeos oficiais de sua campanha, e disse que não vai se encontrar com o presidente brasileiro. Ele também já criticou o Mercosul e o BRICS.

Em entrevistas, Milei disse que, se eleito presidente, seus “aliados” serão os Estados Unidos, Israel e “o mundo livre”, e que retiraria os embaixadores argentinos de países que são “ditaduras”, como Venezuela, Cuba, Nicarágua, Coreia do Norte e Irã.

Quem é Javier Milei

Com 53 anos, o deputado de Buenos Aires baseou sua campanha no apelo por uma renovação política na Argentina, alegando diversas vezes que iria “limpar a casta parasita do país”, como chama os políticos tradicionais. No discurso de vitória, o futuro presidente reforçou que fará um governo que honra os compromissos, respeita a propriedade privada e o comércio livre.

Alçado à fama como comentarista econômico em programas de televisão, Milei se diz amante de cães e, segundo a mídia argentina, tem vários clones de um cachorro que viveu de 2004 a 2017. Embora tenha se aliado a políticos da direita tradicional no segundo turno, como o ex-presidente Mauricio Macri e a candidata derrotada Patricia Bullrich, o candidato vencedor atraiu o voto sobretudo dos mais jovens.

Durante a campanha, Milei foi comparado a políticos como o ex-presidente norte-americano Donald Trump e o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro. O futuro presidente argentino define-se como libertário e anarcocapitalista e declarou-se defensor de ideias como a comercialização de órgãos e a livre venda de armas. Durante o segundo turno, criticou o papa Francisco, a quem chamou de comunista.

Economista, Milei se caracteriza por ser um candidato antissistema num país abalado pela pior crise econômica em décadas, onde a inflação passou dos 140% ao ano, a taxa de juros está a 133%, a desvalorização cambial só aumenta e onde 2/5 da população se encontra na pobreza.

Ele promete dolarizar a economia e extinguir o Banco Central argentino para acabar com a inflação, mas amenizou outras promessas no segundo turno, prometendo não privatizar a saúde e as escolas públicas. Governar também não deve ser tão simples, considerando que a maioria no Congresso será de seu partido opositor.

Com informações da Agência Brasil.

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