Será que ela vai mesmo voltar? Depois de muitas confusões e polêmicas, a cantora norte-americana Taylor Swift encerrou sua passagem pelo Brasil batendo recorde de público de estádio em São Paulo, com mais de 50 mil pessoas no Allianz Parque, e afirmando que já está com vontade de retornar ao país.
Família e amigos da jovem Ana Clara Benevides, fã que morreu no show da turnê no dia 17 de novembro, compareceram à última apresentação da cantora em São Paulo, neste domingo (26). Além de assistirem à performance, o grupo também se encontrou com a artista no camarim. Todos usavam camisetas com a foto de Ana.
Em comunicado, a família informou que os pais da jovem foram procurados pela equipe da artista durante a última semana, e que houve sinalizações da Taylor em ajudar os parentes. Por fim, agradeceram “toda a atenção, agradecem o respeito, carinho e solidariedade manifestada”.

Estiveram presentes na apresentação o pai da Ana, as primas Jaine e Estela, a amiga Daniele, que estava com ela no show no momento do ocorrido, e o amigo Lucas. A homenagem simbólica fez parte do encerramento da turnê “The Eras Tour”, a primeira que a artista norte-americana traz para o Brasil.
Durante sua estadia, Taylor fez três apresentações no estádio Milton Santos, o Engenhão, no Rio de Janeiro, e outras três no Allianz Parque, em São Paulo. Apesar de muito esperada pelos fãs, a passagem da turnê pelo Brasil não foi das mais tranquilas, e gerou muitas polêmicas associadas à cantora e à organização de shows no país. Relembre:
Uma passagem conturbada
As apresentações de Taylor Swift pelo Brasil marcaram muita comoção durante suas duas semanas em terras brasileiras. Após a morte da estudante Ana Benevides, uma grande campanha organizada por fãs da cantora pediu melhores condições em eventos de grande porte, especialmente com relação à facilidade de acesso a água e alimentos durante os shows.
É válido lembrar que na semana do ocorrido, o Rio de Janeiro registrou até 50ºC com a onda de calor extremo que atingiu o estado. Pessoas que estavam na apresentação no dia em que Ana morreu denunciaram má conduta da empresa Time for Fun (T4F) em não permitir a entrada de água dentro do estádio do Engenhão, além de flagrarem tapumes cobrindo as passagens de ar do ambiente.
A Delegacia do Consumidor (Decon), da Polícia Civil do Rio de Janeiro, chegou a abrir um inquérito para investigar as condutas da T4F em relação à organização dos shows e à morte de Ana Clara, para apurar o possível crime de perigo à vida ou à saúde. Serafim Abreu, CEO da T4F, pediu desculpas pela morte apenas seis dias depois.
Também após a tragédia, o ministro da Justiça, Flávio Dino, anunciou a adoção imediata de providências em resposta às denúncias de vedação ou ausência de disponibilidade de água para os consumidores em shows.
Poucos dias depois, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) publicou uma portaria que torna obrigatória a disponibilização gratuita de água em eventos de grande porte pelos próximos quatro meses. Nos shows seguintes da Taylor, ilhas de hidratação com bebedouros puderam ser vistas no estádio, junto de pessoas distribuindo copos d’água de maneira independente.
Sem relação direta com o caso de Ana, alguns carros da comitiva de Taylor Swift também foram apreendidos por circularem no Rio de Janeiro com as placas cobertas por plástico preto, o que é crime.
Nos shows de São Paulo, não houve tantos problemas alarmantes. Contudo, na sexta-feira (24), também houve denúncias da proibição, por parte da Polícia Militar, da entrada de recipientes de água tampados no Allianz Parque. O problema foi resolvido posteriormente, com nova orientação.




