Ato promovido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e apoiadores é aguardado para este domingo (25) na Avenida Paulista, em São Paulo, às 15h. Para o evento, dois trios elétricos serão utilizados, e diversas autoridades e apoiadores de Bolsonaro estão confirmados.
Em meio à investigação da Polícia Federal (PF) de suposta tentativa de golpe de Estado para mantê-lo na Presidência da República, o ato programado para este domingo deve ter discursos moderados.
Segundo Bolsonaro, os discursos serão “em defesa do Estado Democrático de Direito, da nossa liberdade e um retrato para o Brasil e imagens para o mundo do que nós, de verde e amarelo, queremos: Deus, pátria, família e liberdade”
O assessor de Bolsonaro, Fabio Wajngarten, afirmou que são esperadas 700 mil pessoas no evento. Também segundo Wajngarten, o ato terá a presença de três governadores, 100 deputados e dez a 15 senadores.
Estão confirmados os chefes dos Executivos estaduais de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil); e Santa Catarina, Jorginho Mello (PL); além do prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB).
O evento é financiado pelo pastor Silas Malafaia, que discursará em trio e afirmou que o evento contará com dois trios elétricos. Um veículo será reservado para Bolsonaro e um seleto grupo, que usará uma espécie de pulseira VIP para ter acesso ao trio, que comporta 70 pessoas. Os demais políticos serão alocados em outro trio posicionado ao lado.
Levantamento Palver
O levantamento feito pela empresa de tecnologia Palver buscou capturar o que estava sendo dito após a operação da Polícia Federal de 8 de fevereiro que mirou Bolsonaro e aliados acerca de trama golpista engendrada em sua gestão. Além disso, analisou também como reverberou a convocação do ex-presidente, feita no dia 12, para ato na Avenida Paulista.
Mensagens citando Bolsonaro e falando em “guerra civil” ou “revolução” teve certo aumento após a ordem de apreensão de passaporte contra o ex-presidente. Este tipo de conteúdo mais inflamado, porém, não cita a manifestação de 25 de fevereiro e já vinha aparecendo anteriormente nos grupos.
Uma mensagem diz, por exemplo, que “estão inventando uma prisão a qualquer custo para Bolsonaro” e fala que “vai ter guerra civil”. “Guerra civil à vista”, diz outro conteúdo compartilhado, acompanhado de uma teoria: “PT mandou o TSE cassar os mandatos e tornar inelegíveis todos os deputados do PL. É imprescindível fazer este vídeo chegar a cada brasileiro”.
Um outro caso traz o rosto de Bolsonaro junto do aviso: “Estamos atentos, não encostem nele!”. Na sequência, diz que se o ex-presidente for preso todos devem sair às ruas. “Vamos parar o país. Revolução civil em todo o Brasil. Encostem no Bolsonaro e é isso que terão”, diz o conteúdo.
Todos os exemplos, segundo a Palver, estavam marcados como encaminhados com frequência no WhatsApp. Essas mensagens não citam o ato do dia 25 de fevereiro, mas seguem sendo encaminhadas nos grupos.
Os novos indícios, que vieram à tona com a recente decisão do ministro Alexandre de Moraes (STF), não são destaque nas conversas, tampouco alteraram a narrativa de que Bolsonaro estaria sendo perseguido.
Nos segmentos bolsonaristas, a principal crítica segue sendo a órgãos de Justiça, como o Supremo, e ao atual governo.
O vídeo divulgado por Bolsonaro convocando para um ato na avenida Paulista, por sua vez, repercutiu positivamente nos grupos de WhatsApp, segundo a Palver.
Ao analisar a quantidade de mensagens destacando a fala do ex-presidente para que não houvesse cartazes ou para que o ato fosse pacífico e se evitasse xingamento a opositores, as menções são menos relevantes.
No vídeo, Bolsonaro pediu a apoiadores que não levem faixas e cartazes contra ninguém e fala em ato de apoio ao que chama de “Estado democrático de Direito”. “Nesse evento eu quero me defender de todas as acusações que têm sido imputadas à minha pessoa nos últimos meses”, afirmou.
Os textos em geral recomendam que as pessoas vistam verde e amarelo, há também recomendação para que levem seus familiares e que façam lives e fotos. “A nação brasileira precisa colocar a cara do lado de fora e deixar claro que já não tolera mais nenhuma espécie de ditadura” diz a mensagem.
Há também mensagens sobre ônibus partindo para a capital paulista, como uma que diz que o ônibus sairá do Leme, no Rio de Janeiro, no domingo de manhã, por R$ 200, acrescentando que não será permitida a entrada com faixas e cartazes, bem como com objetos cortantes e armas.
O PT, partidos do campo governista e movimentos ligados ao presidente Lula decidiram preparar um manifesto em reação ao ato, o grupo quer denunciar o ex-presidente e reiterar o apoio à democracia.




