Um estudo realizado pelo Instituto Trata Brasil (ITB) sobre o saneamento básico no país constatou que as regiões Norte e Nordeste são as mais carentes em estratégias para recuperação de perdas hídricas. No Ceará, o relatório divulgado nesta quarta-feira (5) revela que o município de Caucaia é o 5º pior no ranking de tratamento de água.
A cidade cearense também possui apenas 64,67% da sua população com acesso à água potável e ocupa a 6ª pior colocação no ranking sobre a distribuição hídrica. Junto dela, Juazeiro do Norte, também aparece no estudo, e ficou em 9º lugar com 75,23%.
O levantamento foi elaborado a partir de dados públicos do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) e conta com análise geral do Brasil, das regiões, das 27 unidades da Federação e dos 100 municípios mais populosos do país.
Em um âmbito nacional, o Brasil avançou no combate ao desperdício de água após seis anos de resultados negativos. Cerca de 37,8% de toda água potável produzida no país foi perdida antes de chegar às residências em 2022, ano mais recente com dados disponibilizados. Em 2021, a perda havia sido de 40,3%.
A Presidente-Executiva do ITB, Luana Siewert Pretto, avalia que a melhora nos dados representa um progresso nas pautas ambientais, mas que ainda há muito a ser feito.
“Ano após ano, observamos uma lenta evolução nos indicadores de perdas de água, enquanto milhões de brasileiros continuam sem acesso regular e de qualidade à água potável para ter uma vida minimamente digna. Além de afetar o abastecimento de água dos habitantes, esse desperdício exacerbado resulta em impactos ambientais severos, uma vez que os efeitos das mudanças climáticas, como vemos na tragédia vivida pela população do Rio Grande do Sul”, avalia.
Segundo o Trata Brasil, quando consideradas apenas as perdas por vazamentos (sem considerar, por exemplo, os desvios e erros de medição), o volume de 3,6 bilhões de metros cúbicos de água tratada desperdiçada em 2022 seria suficiente para abastecer por um ano:
- Toda população do Rio Grande do Sul (10,6 milhões de habitantes) por mais de cinco anos
- Toda população da região Nordeste
- 17,9 milhões de brasileiros que vivem em favelas por mais de três anos
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