Uma sessão temática do Senado Federal ficou marcada por uma encenação artística do aborto, na visão de um feto. A audiência pública, que aconteceu na manhã desta segunda-feira (17), foi convocada e presidida pelo senador cearense Eduardo Girão (Novo-CE) e buscou debater a prática da assistolia fetal em um embrião com mais de 22 semanas de gestação.
A performance foi realizada pela contadora de histórias Nyedjia Gennaria, que também possui cargo comissionado como assessora especial da vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP-DF). O texto encenado coloca o eu-lírico no ponto de vista de um feto prestes a ser submetido à assistolia.
“Essa história, embora trágica, dolorosa, é um chamado à reflexão para que todos compreendam a seriedade e as consequências do aborto”, disse Gennaria, ao final da performance.
Conselheiros do Conselho Federal de Medicina (CFM) estiveram presentes na sessão e mantiveram o posicionamento da organização, contrária ao procedimento médico. O órgão criou uma resolução que considerou a prática cruel, porém ela foi suspensa em maio pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Além do movimento artístico, o deputado Zacharias Calil (União-GO), que é médico cirurgião-pediátrico, simulou a técnica de assistolia fetal em um boneco. No mês passado, o político realizou o mesmo procedimento no Plenário da Câmara.
A audiência do Senado ocorreu em meio a um debate público e político no Congresso Nacional com a votação da Câmara sobre o projeto de Lei (PL 1904/24). O texto impõe uma pena de 20 anos a mulheres que realizarem o aborto após 22 semanas de gestação.
A sessão também contou com a visita de alunos do 5º ao 7º ano de uma escola do ensino fundamental. As crianças ficaram por cerca de cinco minutos na audiência solene e passearam pelas instalações do poder Legislativo em Brasília.



