Um estudo inédito realizado pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), revela a presença de cocaína e benzoilecgonina – um metabólito da cocaína ou do chá de coca – em tubarões da espécie nariz-afiado (Rhizoprionodon lalandii) no litoral do Rio de Janeiro. A descoberta foi divulgada pela revista científica internacional Science of The Total Environment, publicada neste mês de julho.
Os biólogos marinhos analisaram 13 tubarões e todos os animais testaram positivo para a presença de cocaína; do total, 92% também estavam contaminados com benzoilecgonina no organismo. Foram detectados altos níveis das substâncias nos músculos e fígados dos animais. A concentração encontrada é cerca de 100 vezes maior do que a verificada em outros animais marinhos.
Segundo os pesquisadores, a escolha da espécie e do local de captura foi devido a proximidade com as zonas costeiras, e da poluição causada por seres humanos. Os especialistas apontam diversas razões para que as substâncias cheguem na água. O aumento do uso da cocaína no Brasil é uma delas, assim como a falta de saneamento básico. Isso porque em algumas situações, a droga é despejada no esgoto para eliminar evidências; ou chega na tubulação, até mesmo, através das fezes dos usuários, e acaba contaminando o habitat dos animais que vivem no mar. Outra hipótese é a fabricação da droga em laboratórios ilegais.
“Recomendamos a expansão de estudos de monitoramento ambiental sobre drogas de abuso na costa brasileira, bem como investigação detalhada de seus efeitos na saúde ambiental e riscos associados”, conclui o estudo.




