O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi declarado vencedor das eleições do país neste domingo (28), segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) local. Ele recebeu mais de 5 milhões de votos em resultado anunciado por volta das 1h15 (horário de Brasília) desta segunda (29).
O CNE, liderado por um aliado do presidente venezuelano, afirma que Maduro venceu com 51,2% dos votos contra 44,2% de Edmundo González. A oposição, porém, contestou o resultado e afirmou que a vitória foi de González por cerca de 70% dos votos.
O número foi baseado nas atas dos centros de votação e anunciado por María Corina Machado, que seria candidata à Presidência, antes de ser impedida pela Justiça da Venezuela.
No discurso, após o anúncio do CNE, Corina disse que, nos próximos dias, vão “continuar denunciando”. “Nós vamos combater com a verdade. É impossível o que disseram”, disse. “Temos informação e temos as atas”. González reiterou que “a luta continua”.
Durante a apuração das urnas, membros da oposição e ONGs afirmaram sofrer hostilidade nos locais de votação. Segundo a ONG Provea, testemunhas do processo eleitoral foram impedidas de participar da contagem dos votos.
Em uma publicação do X (antigo twitter), a organização afirmou que militares realizavam rondas nos centros eleitorais intimidando os presentes. Após o resultado, a ONG divulgou um apelo às comunidades internacionais e reforçou que “o futuro de milhões de pessoas na Venezuela depende disso”.
“O anúncio de resultados que vão em sentido contrário ao vivido pelos venezuelanos nos centros eleitorais aprofundará a crise institucional e derivará em um cenário distinto de uma transição democrática conforme a Constituição e a plena garantia dos direitos humanos. Pedimos à comunidade internacional a emitir pronunciamentos baseados no respeito à vontade popular do domingo”, escreveu a organização.
O ministro de Defesa da Venezuela, o general Vladimir Padrino López, disse não ter havido “nenhum incidente digno de menção” durante a votação e que “o dia transcorreu em paz”.
Divulgação atrasada
A expectativa dos eleitores venezuelanos é que o resultado saísse ainda no domingo. Porém, o site do CNE apresentou instabilidade durante a apuração dos votos, o que o órgão atribuiu a uma “agressão contra o sistema de transmissão de dados que atrasou de maneira adversa a transmissão dos resultados dessa eleições presidenciais”.
Minutos depois da divulgação do resultado, Maduro fez seu primeiro pronunciamento e falou que o site do CNE sofreu um “ataque hacker” numa tentativa de “evitar que a população tivesse acesso aos resultados”. O presidente diz que o governo já sabe qual país coordenou o ataque.
O órgão apurador afirmou que já solicitou que seja iniciada “uma investigação sobre as ações terroristas perpetradas contra nosso sistema eleitoral, contra os centros de votação e contra os funcionários eleitorais”.




