Antonio Vinicius Lopes Gritzbach, empresário morto a tiros dentro do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, nesta sexta-feira (8), era delator de uma investigação sobre lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).
De acordo com a perícia, o homem foi atingido com 27 disparos contra sua cabeça, tórax e braços. Gritzbach dizia a pessoas próximas que temia pela vida. Na delação feita ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), o empresário relatou que um advogado ligado ao PCC ofereceu R$3 milhões “pela cabeça” dele.
Dois motoristas de aplicativo e uma passageira que desembarcava de outro voo foram baleados, mas o quadro de saúde dessas vítimas era estável até a noite desta sexta.
Horas após o crime, a polícia localizou em Guarulhos (SP) o Volkswagen Gol Preto usado no assassinato. Dentro do automóvel, a polícia encontrou um colete à prova de balas e munição de fuzil. O carro está sendo periciado em busca de impressões digitais e outras provas que possam levar à identificação dos atiradores.
Gritzbach voltava de viagem com a namorada quando foi atacado a tiros. Até o momento, não há informações sobre o estado de saúde dela. De acordo com a Guarda Civil Municipal (GCM) de Guarulhos, o tiroteio ocorreu por volta das 13h de sexta.
Delação premiada da vítima
Gritzbach fechou acordo de delação premiada, homologado pela Justiça em abril. As negociações com o Ministério Público Estadual (MPE) duravam dois anos e ele já havia prestado seis depoimentos. Conforme a investigação, ele é ex-diretor da Porte Engenharia e Urbanismo, uma das maiores construtoras da cidade.
Na delação, o empresário falou sobre envolvimento do PCC, a maior organização criminosa do País, com o futebol e o mercado imobiliário. Gritzbach também deu informações sobre os assassinatos de líderes da facção, como Cara Preta e Django.
Ele já tinha sido alvo de um atentado na véspera de Natal, em 2023, mas não se feriu. Durante a delação, ele disse que conheceu os integrantes da facção “no âmbito do ambiente de trabalho da Porte”, por meio de um corretor de imóveis.
O MPE está investigando a empresa, a partir da delação do ex-funcionário, sob a suspeita de ter vendido mais de uma dezena de imóveis para traficantes de drogas.




