Um projeto de lei denominado “Anti-Oruam”, no qual o objetivo é proibir que o poder público financie, sob pena de multa de 100% do valor do contrato, apresentações de artistas que façam apologia ao crime organizado ou ao uso de substâncias ilícitas, foi apresentado na Câmara Municipal de São Paulo.
De autoria da vereadora Amanda Vettorazzo (União Brasil), a proposta tem como referência o filho do traficante Marcinho VP, o rapper carioca Oruam, que alcançou o topo das músicas mais ouvidas no Spotify Brasil neste ano.
Oruam se consolidou como uma figura de destaque nos gêneros do funk, trap e rap, conquistando mais de 10 milhões de ouvintes mensais. Sua música “Oh Garota Eu Quero Você Só Pra Mim”, parceria com Zé Felipe, está entre as mais procuradas no Spotify Brasil desde o início deste ano. A letra da canção faz referência a temas como jogos de azar e prostituição.
Em agosto de 2023, o rapper fez uma postagem no Instagram em que expressou seu apoio ao pai, que está preso por crimes como homicídio qualificado, tráfico de drogas e formação de quadrilha, sendo ainda identificado como líder da facção criminosa Comando Vermelho.
Na publicação, Oruam afirmou: “30 anos que tiraram você de nós, olha onde nós chegamos, pai. Só um pouco do que Deus vai fazer na nossa vida. Quero ser igual a você quando eu crescer”.
Em uma postagem no X, na última quinta-feira (6), Vettorazzo compartilhou que recebeu o interesse de “dezenas de vereadores” que desejam adotar o projeto em seus respectivos municípios.
“Mais de 150 PARLAMENTARES entre vereadores, deputados estaduais, deputados estaduais e senadores protocolaram a Lei Anti-Oruam. Parabéns a todos pela coragem e sejam bem vindos ao time que quer tratar facções criminosas como TERRORISTAS”, declarou a vereadora.
Proposta foi protocolada em 12 capitais
Além de São Paulo, outras 11 capitais brasileiras também receberam propostas que visam proibir músicas que promovam apologia ao crime ou ao uso de drogas em eventos destinados ao público jovem. Confira:
- Belo Horizonte (MG)
- Rio de Janeiro (RJ)
- Campo Grande (MS)
- Fortaleza (CE)
- Curitiba (PR)
- Vitória (ES)
- Porto Alegre (RS)
- Cuiabá (MT)
- Porto Velho (RO)
- Natal (RN)
- João Pessoa (PB)
Kim Kataguiri (União), coordenador do MBL, apresentou uma proposta semelhante no Congresso, que já recebeu mais de 40 assinaturas. No Senado, a iniciativa foi proposta por Cleitinho (Republicanos-MG).
Em entrevista ao G1, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB) , se manifestou a favor do texto: “Se essa pessoa faz qualquer tipo de apologia ao crime, aqui nos palcos de São Paulo, com recurso público, ela não vai ter espaço”.




