Daniel Noboa foi reeleito presidente do Equador neste domingo (13) no segundo turno das eleições após uma jornada acirrada. Com mais de 94% dos votos apurados, o líder da direita tinha 55,83% dos votos, ante 44,17% da oposição.
A opositora de esquerda, Luisa González, disse que não reconhece os resultados, apontando que houve fraude. “O Equador vive uma ditadura, e hoje vivemos a fraude mais grotesca da história do país”, afirmou ela a apoiadores na capital, Quito. “Pediremos a recontagem dos votos”, concluiu.
O empresário e herdeiro do império da bananas foi confirmado como vencedor pela autoridade eleitoral do país e agora assumirá um mandato de quatro anos. Anteriormente, ele foi eleito para um governo-tampão, governando por um ano e meio.
A vantagem de quase 12 pontos percentuais chama a atenção dado que no primeiro turno, em fevereiro, a diferença entre Noboa e González foi de apenas 0,17 ponto percentual a favor da candidata de esquerda. Os dois apareciam em empate técnico nas pesquisas de intenção de voto anteriores a este domingo.
“O Equador está mudando, escolheu um outro caminho”, disse Noboa em discurso pós-vitória. “E será o caminho para que nossos filhos vivam melhor que nós. Que tenham um governo e instituições mais transparentes, progresso e planejamento”, afirmou.
Mais de 83% dos eleitores equatorianos compareceram às urnas, número próximo ao de outros pleitos e ligeiramente superior ao do primeiro turno.
O voto no Equador é obrigatório e feito em papel. A contagem é realizada nos próprios centros de votação e depois enviada eletronicamente à autoridade eleitoral.
“A democracia se fortalece quando se respeita a voz do povo. E hoje essa voz foi respeitada”, disse a presidente da autoridade eleitoral, Diana Atamaint, que agradeceu aos mais de 100 mil membros das Forças Armadas e aos policiais pelo apoio no processo eleitoral.
Polarização política
No último sábado (12), Noboa decretou estado de exceção, por 60 dias, em sete de suas 24 províncias, assim como na capital e no sistema prisional, sob argumento da ameaça do tráfico de drogas no país.
Setores da esquerda dizem que o objetivo seria impedir a mobilização popular nos dias que seguem as eleições, quase prevendo que haveria contestação dos resultados, como ocorre agora.
Ainda na véspera do segundo turno, González denunciou a troca da sua equipe de segurança, e classificou de ato irresponsável do governo Noboa. O Ministério da Defesa, por sua vez, disse que todos os integrantes da equipe estão qualificados para o trabalho.
Denúncia descartada
No primeiro turno, realizado em fevereiro, a denúncia de fraude, feita por Noboa, foi descartada pelas organizações internacionais.
Cerca de 14 milhões de habitantes foram convocados às urnas entre as 7h e 17h (9h e 19h em Brasília) neste domingo.




