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Brasil e China firmam parceria para construção de ferrovia ligando Atlântico e Pacífico

A parceria tem prazo inicial de cinco anos e pode ser prorrogada
Por José Gabriel Herculino
Atualizado há 10 meses
Tempo de leitura: 3 mins
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A parceria tem prazo inicial de cinco anos e pode ser prorrogada. Foto: Michel Corvelo/MT

Os governos do Brasil e da China firmaram uma parceria que deve permitir a ligação entre o território brasileiro e o porto de Chancay, no Peru, através de uma ferrovia. O projeto visa facilitar as exportações para a Ásia, especialmente para a China, reduzindo o tempo de transporte e os custos. O documento foi assinado nesta segunda-feira (7).

Segundo o plano inicial, a ferrovia vai sair da Bahia, passará pelos estados de Goiás, Mato Grosso, Rondônia e Acre, até chegar ao Peru. Ainda não há estimativas em relação ao custo do empreendimento, o que será orçado durante os estudos.

Do lado do Brasil, o chamado memorando de entendimento foi assinado pela Infra S.A ー empresa vinculada ao Ministério dos Transportes. Já pelo lado chinês, foi assinado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Econômico China Railway.

A cerimônia ocorreu de forma online, entre integrantes do governo brasileiro e da embaixada da China, que estavam na sede do ministério, em Brasília, e representantes do instituto chinês, que participaram por videoconferência.

Redução de tempo

Projeções do governo peruano dão conta de que é possível reduzir de 40 para 28 dias o tempo necessário de deslocamento da carga entre os dois continentes. O porto de Chancay, no Peru, foi financiado pelo governo chinês e inaugurado em 2024 pelo presidente Xi Jinping.

O porto faz parte da iniciativa “Cinturão e Rota”, conhecida como “Nova Rota da Seda”. O governo brasileiro ainda não aderiu formalmente ao projeto ー que prevê investimentos na área de infraestrutura em vários países do mundo. 

Recentemente, líderes de países latino-americanos se encontraram com Xi Jinping na China para tentar aproximar a região dos investimentos chineses. O governo Lula entende que, como a China já é o principal parceiro comercial do Brasil e já fez diversos investimentos volumosos no país, não há necessidade de adesão formal à Nova Rota da Seda.

Além disso, os dois países integram grupos multilaterais que permitem a discussão de parceria econômica, a exemplo do Brics.

O acordo

A parceria firmada nesta segunda (7) prevê a integração entre equipes brasileiras e chinesas para aprofundar uma pesquisa sobre a estrutura logística nacional, com foco na intermodalidade e na sustentabilidade econômica, social e ambiental. Dessa forma, o estudo vai incluir além das ferrovias, hidrovias e rodovias.

Para Leonardo Ribeiro, secretário Nacional de Transporte Ferroviário, o acordo representa “um passo estratégico para o setor de transporte no Brasil, especialmente na área ferroviária”.

“É o primeiro passo de jornada técnica e diplomática para aproximar continentes, reduzir distâncias e reforçar a relação de longo prazo”, disse o secretário. “Acreditamos que estamos concretizando parceria essencial com os melhores do mundo para resolver nossos gargalos na infraestrutura de transporte”.

Conforme Leonardo Ribeiro, a parceria tem prazo inicial de cinco anos e pode ser prorrogado. Ele relembra, ainda, que entre 2015 e 2016 foram feitos estudos sobre o tema, mas que eles não foram adiante porque o Brasil “estava em outro contexto”.

Agora, o secretário acredita que será possível porque o país se desenvolveu em termos de infraestrutura, como nas ferrovias, e que pode ser possível utilizar as já existentes no plano. 

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