Em sua última manifestação nas redes sociais antes de ser proibido de utilizá-las por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), alvo de uma operação da Polícia Federal, publicou uma mensagem em agradecimento ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O republicano havia enviado uma carta em apoio ao aliado brasileiro, falando sobre a tarifa de 50% imposta ao Brasil e afirmando que Bolsonaro estaria sendo alvo de perseguição política.
Na publicação, feita nesta quinta-feira (17), o ex-mandatário disse ter “imensa gratidão” pelo gesto e classificou como “inexistente” o crime pelo qual está sendo julgado. Ele é investigado por tentativa de golpe de Estado, em 8 de janeiro de 2023, após o resultado das eleições de 2022, que deram vitória ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Recebi com muita alegria a sua carta pessoal endereçada a minha pessoa. Nela, vi a sua preocupação com a liberdade de expressão e também no tocante ao meu julgamento”, escreveu Bolsonaro. Em outro trecho, ele afirma: “Estou sendo julgado por um golpe de Estado dado num domingo, sem tropa, com a minha presença nos Estados Unidos. É algo completamente incrível, um crime inexistente.”
O ex-presidente também voltou a questionar o processo político brasileiro e insinuou que estaria sendo impedido de participar das eleições. “Querem, na verdade, me alijar do processo político, alijar a maior liderança de direita da América Latina. Entendo que eleições sem oposição, isso sim é um golpe.”
A publicação ocorreu horas antes do cumprimento de mandados de busca e apreensão autorizados pelo STF, em mais uma fase da investigação que mira Bolsonaro e aliados. De acordo com advogados do militar, a Polícia Federal esteve em sua residência, em Brasília, além de realizar buscas em outros endereços ligados ao ex-presidente.
Entre as medidas impostas pelo Supremo, estão o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica, monitoramento 24 horas por dia, recolhimento domiciliar noturno (das 19h às 6h) e durante os fins de semana, além da proibição de acessar redes sociais ou se comunicar com determinados investigados, como o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), seu filho, que está nos Estados Unidos.
Segundo informações divulgadas pela GloboNews, um dos fatores que motivaram as determinações judiciais foi a constatação de repasses financeiros feitos por Bolsonaro ao filho mesmo após sua saída do país. De acordo com apuração da jornalista Natuza Nery, ao menos R$ 2 milhões teriam sido enviados ao parlamentar.




