O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, afirmou que as tarifas impostas pelo país entrarão em vigor no dia 1º de agosto, “sem prorrogações”. A declaração foi dada durante entrevista à emissora Fox News e divulgada neste domingo (27) pelo perfil oficial da Casa Branca na rede social X.
“Sem prorrogações, sem mais períodos de carência — em 1º de agosto, as tarifas serão definidas. Elas entrarão em vigor. A Alfândega começará a arrecadar o dinheiro”, garantiu o secretário.
Apesar do tom de ultimato, Lutnick destacou que, mesmo após o início da cobrança, os países ainda poderão negociar com o governo dos Estados Unidos. “As pessoas ainda poderão falar com o presidente Trump. Ele está sempre disposto a ouvir. Se elas poderão fazê-lo feliz ou não é outra questão… Mas ele está sempre disposto a negociar”, completa.
Ao comentar sobre as tratativas com a União Europeia, o secretário afirmou que o bloco precisará abrir seus mercados às exportações americanas para convencer o presidente a suspender as tarifas de 30% anunciadas.
No caso do Brasil, Donald Trump anunciou uma tarifa de 50% e justificou a medida citando “ataques insidiosos do Brasil contra eleições livres e à violação fundamental da liberdade de expressão dos americanos”. Segundo ele, isso teria sido evidenciado por decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).
“[Isso ocorreu] como demonstrado recentemente pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil, que emitiu centenas de ordens de censura SECRETAS e ILEGAIS a plataformas de mídia social dos EUA, ameaçando-as com multas de milhões de dólares e expulsão do mercado de mídia social brasileiro”, escreveu Trump.
Na mesma mensagem, o ex-presidente americano também mencionou Jair Bolsonaro e reiterou que o ex-mandatário brasileiro é vítima de uma “caça às bruxas”.
Trump ainda classificou como “injusta” a relação comercial entre os dois países. “Nosso relacionamento, infelizmente, tem estado longe de ser recíproco”, afirmou.
Apesar da crítica, dados do Ministério do Desenvolvimento indicam que o Brasil registra déficits comerciais com os Estados Unidos há 16 anos. Desde 2009, o saldo das trocas comerciais favorece os americanos em US$ 88,61 bilhões — cerca de R$ 484 bilhões na cotação atual.
Diante da medida, o governo brasileiro tem se reunido com representantes do setor produtivo para avaliar uma resposta. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já criticou Donald Trump em diversas ocasiões, declarou que o republicano “não foi eleito para ser o imperador do mundo”.
Veja a lista de países afetados:
- África do Sul: 30%
- Argélia: 30%
- Bangladesh: 35%
- Bósnia e Herzegovina: 30%
- Brasil: 50%
- Brunei: 25%
- Camboja: 36%
- Canadá: 35%
- Cazaquistão: 25%
- Coreia do Sul: 25%
- Filipinas: 20%
- Indonésia: 32%
- Iraque: 30%
- Japão: 25%
- Laos: 40%
- Líbia: 30%
- Malásia: 25%
- México: 30%
- Mianmar: 40%
- Moldávia: 25%
- Sérvia: 35%
- Sri Lanka: 30%
- Tailândia: 36%
- Tunísia: 25%
- União Europeia: 30%




