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Ceará

Pessoas com ensino superior ganham 126% a mais que menos escolarizados; mercado cobra novas habilidades

“O diploma universitário deixou de ser um grande diferencial e passou a ser, na maioria das áreas, o ponto de partida”, afirma psicóloga
Por Júlia Meira
Atualizado há 9 meses
Tempo de leitura: 4 mins
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Algumas instituições têm conseguido traduzir o valor do diploma em dados concretos. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

As redes sociais estão repletas de vídeos de jovens questionando se “fazer faculdade ainda compensa” ou se “ainda dá dinheiro”. A dúvida ganhou força diante da desaceleração econômica, do avanço dos cursos livres online e das histórias de sucesso de empreendedores que nunca passaram por uma universidade.

Apesar disso, os dados nacionais seguem apontando que o ensino superior continua sendo um dos principais caminhos para melhores salários e oportunidades de carreira, mesmo com a redução do chamado prêmio salarial (a diferença de ganhos em relação a níveis educacionais mais baixos) na última década.

‘Ainda vale a pena?’: desinteresse pela faculdade viraliza nas redes e se reflete no ENEM – URB News 

Um levantamento do Ibre/FGV mostra que profissionais com menos escolaridade ganham menos que o dobro do que aqueles com diploma universitário. Somente no segundo semestre de 2024, o prêmio salarial daqueles com ensino superior era 126% maior que os demais. 

Esse cenário acontece em um contexto de queda no interesse por vestibulares. Após picos com mais de 8 milhões de inscritos em meados da década de 2010, o número de participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) caiu fortemente nos anos seguintes. Especialistas atribuem esse recuo à dificuldade de conciliar trabalho e estudo, à perda de confiança no valor do diploma e aos impactos da pandemia de Covid-19.

“O diploma universitário deixou de ser um grande diferencial e passou a ser, na maioria das áreas, o ponto de partida”, afirma a psicóloga Lisa Naira. “Ele ainda é fundamental, principalmente em profissões regulamentadas, mas o mercado valoriza cada vez mais outras competências, como experiência prática, atualização constante e habilidades comportamentais”. 

Salários acima da média no Ceará

Algumas instituições têm conseguido traduzir o valor do diploma em dados concretos. A UniChristus, de Fortaleza, por exemplo, realiza pesquisas com egressos formados há até oito anos e encontrou uma média salarial de R$ 7.700. Em relação à média geral da população do estado, o valor chega a ser quatro vezes maior.

Reprodução/UniChristus

“A UniChristus divulga pesquisas com egressos que mostram que seus formandos têm uma média salarial superior a R$ 7.700, mais que o dobro da média dos graduados no Ceará. Isso reforça, com dados concretos, que o diploma não só continua relevante, como também representa retorno financeiro e empregabilidade de alto nível”, destaca Luiza Lacerda, gerente de marketing da instituição.

Investimento nas múltiplas possibilidades

Na Universidade de Fortaleza (Unifor), iniciativas de inovação também ampliam as possibilidades do diploma. O Unifor Hub e o Parque Tecnológico (TEC Unifor) conectam alunos a laboratórios, programas de pré-aceleração, bootcamps e incubadoras de startups, em parceria com empresas e órgãos públicos. 

Ares Soares/Unifor

“Paralelamente, a universidade investiu em ambientes de inovação e empreendedorismo, como seu Parque Tecnológico e o Hub de Inovação, que acolhem projetos desenvolvidos por estudantes com mentoria de empresários e pesquisadores”, explica Carolina Quixadá, gestora da Central de Carreiras e Egressos da Unifor. “Esses espaços incentivam a criação de startups e produtos inovadores, alguns dos quais evoluíram para incubação e atração de investimento”. 

O que o mercado quer

Empregadores indicam que o diploma segue sendo um critério básico de entrada em muitos setores, mas é preciso ir além. 

“Além do diploma, o mercado valoriza muito habilidades como comunicação, trabalho em equipe, pensamento crítico, criatividade e inteligência emocional”, afirma Lisa Naira. “Também é essencial saber aprender continuamente, já que tudo muda muito rápido. Ter conhecimento técnico é importante, mas as chamadas habilidades socioemocionais fazem toda a diferença para o sucesso a longo prazo”. 

Assim, o diploma universitário continua sendo um forte preditor de renda mais alta e de acesso a ocupações mais qualificadas no Brasil. No entanto, seu diferencial tem diminuído em meio às transformações do mercado de trabalho.

Neste cenário, o ensino superior ganha força quando vem acompanhado de habilidades práticas, redes de relacionamento e estruturas que favorecem a permanência estudantil e a inserção profissional.

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