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China reforça apoio ao Brasil contra tarifaço de Trump e propõe ampliar cooperação bilateral

As declarações foram feitas durante uma ligação telefônica com Celso Amorim, assessor especial da Presidência da República
Por José Gabriel Herculino
Atualizado há 9 meses
Tempo de leitura: 3 mins
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As declarações foram feitas durante uma ligação telefônica com Celso Amorim, assessor especial da Presidência da República. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O chanceler da China, Wang Pi, disse nesta quarta-feira (6) que o governo do país está disposto a estreitar laços com o Brasil, fortalecendo a parceria estratégica bilateral e ampliando áreas de cooperação. Wang também destacou que a China se opõe a qualquer tipo de interferência externa nos assuntos internos brasileiros e se colocou ao lado do Brasil diante dos impasses comerciais gerados pelos Estados Unidos.

As declarações foram feitas durante uma ligação telefônica com Celso Amorim, assessor especial da Presidência da República.

“A China apoia firmemente o Brasil na defesa da soberania e dignidade nacionais, se manifesta contra a interferência externa injustificada nos seus assuntos internos e o apoia firmemente na defesa de seus interesses nacionais, direito ao desenvolvimento e na resistência ao abuso discriminatório por meio de tarifas”, afirmou o ministro a Amorim, conforme a agência de notícias estatal Xinhua.

Ainda segundo a Xinhua, Amorim teria pontuado o interesse do Brasil em aprofundar as relações comerciais e financeiras com Pequim, além de fortalecer o mecanismo dos Brics e a cooperação entre países do Sul Global. 

Durante a ligação, os diplomatas também teriam discutido a guerra na Ucrânia, de acordo com a agência chinesa. Nesse ponto, a China sugeriu intensificar o diálogo entre Pequim e Brasília para produzir consenso no Sul Global em torno de um cessar-fogo. Wang sugeriu que os esforços fossem direcionados ao Grupo de Amigos pela Paz, visando uma contribuição para uma solução política de longo prazo para o conflito.

Essa não é a primeira vez que a China sai em defesa do Brasil diante da guerra tarifária promovida por Donald Trump. Em julho, quando o governo dos EUA anunciou novas taxas sobre produtos brasileiros, Pequim criticou a postura de Washington. À época, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, declarou que a igualdade de soberania e a não-intervenção em assuntos domésticos são princípios importantes da Carta da ONU e normas básicas nas relações internacionais”.

Tarifas de 50%

A conversa entre Wang e Amorim ocorre no mesmo dia em que entram em vigor as novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Agora, o País será afetado por uma taxa de 50%. 

Na prática, porém, diversos produtos como suco de laranja, metais preciosos e a pasta de celulose ficaram de fora do tarifaço. Ao todo, 693 itens foram isentados e, segundo integrantes do governo brasileiro envolvidos nas negociações com o governo Trump,a expectativa é de que a lista de isenções aumente. Por exemplo, existe otimismo sobre a isenção de produtos como a carne e o café.

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