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Economia

Para 49% dos brasileiros, País deve responder ao tarifaço de Trump ‘na mesma moeda’, segundo pesquisa

Conforme os resultados da pesquisa, o grupo que concorda total ou parcialmente com a criação de uma taxa de 50% aos produtos dos EUA que entram no Brasil é de 49%
Por José Gabriel Herculino
Atualizado há 8 meses
Tempo de leitura: 3 mins
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Conforme os resultados da pesquisa, o grupo que concorda total ou parcialmente com a criação de uma taxa de 50% aos produtos dos EUA que entram no Brasil é de 49%. Foto: Reuters/Folhapress e Ricardo Stuckert/PR

Quase metade dos brasileiros acredita que o País deve responder às tarifas de 50% impostas por Donald Trump “na mesma moeda”. A afirmação foi feita durante a nova rodada da pesquisa Ipsos-Ipec sobre o tema, divulgada nesta terça-feira (12) pelo portal g1. 

Conforme os resultados da pesquisa, o grupo que concorda total ou parcialmente com a criação de uma taxa de 50% aos produtos dos EUA que entram no Brasil é de 49%. Mais especificamente, são 33% os que concordam totalmente e 16% que concordam em parte com a afirmação.

Já os que discordam total ou parcialmente da resposta “na mesma moeda” são 43%, sendo que destes 30% apontam discordância total e 13% indicam discordância parcial. Dos 2 mil entrevistados, somente 7% não souberam ou não quiseram responder sobre o tema.

A sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros imposta pelos Estados Unidos entrou em vigor na última quarta-feira (6). A medida, contudo, prevê uma longa lista de exceções como suco de laranja, aeronaves civis, petróleo, veículos e peças, fertilizantes e produtos energéticos. A lista tem quase 700 produtos.

Ainda assim, a alíquota atinge cerca de 36% das exportações brasileiras aos EUA, o que corresponde a um comércio estimado em US$ 14,5 bilhões.

Respostas do Brasil até aqui

Até agora, as respostas do Brasil às tarifas de Trump não incluem a reciprocidade. O Governo aguarda o desenrolar das negociações com autoridades norte-americanas antes de partir para uma reação mais concisa. As conversas, contudo, ainda não resultaram em um cessar ou redução. 

Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), o obstáculo tem sido a extrema-direita brasileira. O grupo, liderado pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que está nos EUA, tem causado atrasos e aumento da tensão entre os países ao embaralhar o tarifaço com a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), réu por tentativa de golpe de estado. A articulação da oposição está sob investigação por supostamente atentar contra a soberania nacional. 

A motivação política do tarifaço é, inclusive, percebida pela maior parte da população (75%). Apenas 12% acham que a sobretaxa foi imposta somente por questões comerciais. Já outros 5% acreditam na junção dos dois fatores. Por fim, 8% não souberam ou não quiseram responder. 

Outra reação do governo brasileiro foi recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC), alegando que a política trumpista viola as regras do comércio global. Ainda não houve qualquer resposta na ação. Internamente, o Executivo prepara um pacote de medidas que inclui linhas de crédito aos setores afetados pelo tarifaço, adiamento de impostos federais e aquisição de produtos que seriam vendidos aos Estados Unidos.

Segundo 68% dos entrevistados pela Ipsos-Ipec, o País deveria também procurar outros parceiros comerciais, como a China e a União Europeia, para driblar o tarifaço. Outros 25% discordam dessa alternativa. Somente 8% não souberam ou não quiseram responder. 

A pesquisa Ipsos-Ipec foi realizada entre os dias 1º e 5 de agosto ー um dia antes do tarifaço entrar em vigor. No total, foram realizadas 2 mil entrevistas em 132 municípios do Brasil. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.

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