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Política

‘Se for inocente, prove’, diz Lula sobre Bolsonaro ao defender presunção de inocência em julgamento

Ao defender que Bolsonaro comprove a própria inocência, o petista alegou que “ninguém está julgando ninguém pessoalmente”
Por UrbNews
Atualizado há 9 meses
Tempo de leitura: 4 mins
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O conceito de presunção de inocência diz que toda pessoa acusada de um crime é inocente até que se prove o contrário. Foto: Reprodução/ YouTube Canal GOV

O presidente Lula (PT) disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deve provar a própria inocência no caso da trama golpista, que começou a ser julgada nesta terça-feira (2) no STF (Supremo Tribunal Federal), em Brasília.

“Se é inocente, prove que é inocente. Prove que não tem nada a ver com isso e está de bom tamanho. O que eu espero é isso, que seja feita a justiça respeitando o direito da presunção de inocência de quem está sendo julgado. É só isso o que desejo para mim e para qualquer inimigo meu: apenas o direito à presunção de inocência para que o Brasil fique sabendo da verdade”, disse Lula na tarde desta terça ao deixar o velório do jornalista Mino Carta, em São Paulo.

O conceito de presunção de inocência diz que toda pessoa acusada de um crime é inocente até que se prove o contrário. Ao defender que Bolsonaro comprove a própria inocência, o petista alegou que “ninguém está julgando ninguém pessoalmente” e que o ex-presidente deve ser julgado com base no que consta no processo.

“Tem o processo, tem os autos, tem as delações, tem as provas e a pessoa que está sendo acusada tem o direito à presunção de inocência. Ele [Bolsonaro] pode se defender, como eu não pude me defender. E eu não reclamei, não fiquei chorando, eu fui à luta”, afirmou o petista, referindo-se à própria prisão pelo caso do tríplex em Guarujá, no âmbito da operação Lava Jato.

Amigo havia quase 50 anos de Mino Carta, que morreu nesta terça-feira, Lula alterou sua agenda do dia para ir ao velório no Cemitério São Paulo, em Pinheiros, na zona oeste da capital paulista. O petista chegou ao local por volta das 15h, em meio ao primeiro dia do julgamento da trama golpista no STF, e deixou o cemitério cerca de uma hora depois.

Lula estava na companhia dos ministros Sidônio Palmeira (Comunicação) e Luiz Marinho (Trabalho), do deputado federal Rui Falcão (PT-SP) e do presidente nacional do PT, Edinho Silva. No local, ele cumprimentou a família de Mino, a quem teceu elogios e disse que teria feito uma cobertura sóbria e verdadeira do julgamento.

Na nota de pesar que divulgou sobre a morte do jornalista o presidente já havia feito uma referência ao processo. “Se hoje vivemos em uma democracia sólida, se hoje nossas instituições conseguem vencer as ameaças autoritárias, muito disso se deve ao trabalho deste verdadeiro humanista, das publicações que dirigiu e dos profissionais que ele formou”, escreveu o petista, que declarou luto oficial de três dias no país.

Lula compareceu ao velório após ter participado pela manhã de uma reunião com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para discutir o tarifaço. O presidente disse que busca a paz com outros países e que, após ter recorrido à OMC (Organização Mundial do Comércio), espera conseguir negociar a sobretaxa de 50% aos produtos brasileiros pelos Estados Unidos.

“Tenho o Geraldo Alckmin [vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços], tenho o Fernando Haddad [ministro da Fazenda] e tenho o Mauro Vieira negociando. E falei outro dia numa entrevista: se o Trump estiver disposto a negociar, o Lulinha paz e amor está de volta”, disse.

Na saída, o petista tirou fotos com alguns dos garis do cemitério antes de retornar a Brasília.

Com informações de Juliana Arreguy, da Folhapress

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