A delegação brasileira, composta pela deputada federal Luizianne Lins (PT-CE) e outros 14 integrantes, deve receber nesta sexta-feira (3) a primeira visita consular após terem sido detidos pelas Forças Armadas de Israel. O grupo estava a bordo da flotilha humanitária que tentava chegar à Faixa de Gaza e foi interceptado pela Marinha israelense na noite de quarta-feira (1°).
A confirmação da visita foi dada em reunião entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e deputados federais que acompanham o caso. Parlamentares classificaram a ação israelense como “ato ilegal”, já que a interceptação ocorreu em águas internacionais.
Eles também relataram ter recebido informações sobre interrogatórios considerados ilegais, conduzidos sem a presença de representantes consulares ou advogados. De acordo com a equipe de Luizianne Lins, a deputada permanece incomunicável desde a abordagem militar, sendo o último contato registrado às 18h30 da quarta-feira.
Posição do Itamaraty
Em nova nota, divulgada nesta quinta-feira (2) o Ministério das Relações Exteriores condenou a “interceptação ilegal e a detenção arbitrária” promovida por Israel, classificando a ação como “grave violação ao direito internacional”.
O comunicado exige a liberação imediata dos cidadãos brasileiros e dos demais ativistas detidos. “O Brasil conclama a comunidade internacional a exigir de Israel a cessação do bloqueio à Gaza, por constituir grave violação ao direito internacional humanitário. O Brasil expressa sua posição de que Israel deverá ser responsabilizado por quaisquer atos ilegais e violentos cometidos contra a Flotilha e contra os ativistas pacíficos que dela participam e deverá assegurar sua segurança, o bem-estar e integridade física enquanto permanecerem sob a custódia de autoridades israelenses”, diz a nota.
Resposta israelense
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu elogiou a atuação de suas forças navais após a operação. “Felicito os soldados e comandantes da Marinha que cumpriram sua missão no Yom Kippur da maneira mais profissional e eficiente. Sua importante ação impediu que dezenas de embarcações entrassem na zona de guerra e repeliu uma campanha de deslegitimação contra Israel”, declarou em comunicado.
Segundo representantes israelenses, mais de 400 ativistas foram detidos e transferidos para o porto de Ashdod, no sul de Israel. Nenhum barco conseguiu romper o bloqueio naval. O rastreador da Global Sumud Flotilla indica que apenas o barco Marinette segue em movimento e ainda não foi interceptado. “Se ele se aproximar, também será impedido de entrar em uma zona de combate ativa e romper o bloqueio”, acrescentou o Ministério da Defesa de Israel.
Delegação brasileira
Ao todo, 14 brasileiros foram detidos:
- Thiago Ávila, no barco Alma;
- Bruno Gilga, Lisiane Proença, Magno Costa, Mariana Conti (vereadora do PSOL) e Nicolas Calabrese (argentino residente no Brasil), no barco Sirius;
- Ariadne Telles e Mansur Peixoto, no barco Adara;
Gabriele Tolotti (presidente do PSOL-RS) e Mohamad El Kadri, no barco The Spectre; - Lucas Gusmão, no barco Yulara;
- João Aguiar, no barco Mikeno, o único a alcançar águas palestinas antes de ser interceptado;
- Luizianne Lins, no barco Grand Blue;
- Miguel Bastos, no barco Catalina.
O jornalista Hassan Massoud, correspondente da Al Jazeera, também integra a delegação, mas estava no barco Shireen, dedicado a apoio jurídico, e não foi detido.
A missão
A Flotilha Global Sumud partiu de Barcelona, na Espanha, no fim de agosto, levando ativistas, parlamentares e lideranças sociais de vários países com destino a Gaza. O objetivo era transportar alimentos, água potável e suprimentos médicos diante da crise humanitária na região.
Esta não foi a primeira vez que a missão enfrentou hostilidade. Em 23 de setembro, Luizianne Lins relatou que embarcações haviam sido alvo de drones, em uma tentativa de intimidar e sabotar a chegada da ajuda humanitária.




