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Brasileiros detidos por Israel devem receber primeira visita consular hoje; veja o que se sabe

A confirmação da visita foi dada em reunião entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e deputados federais que acompanham o caso
Por UrbNews
Atualizado há 8 meses
Tempo de leitura: 4 mins
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A confirmação da visita foi dada em reunião entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e deputados federais que acompanham o caso. Foto: Reprodução/Instagram

A delegação brasileira, composta pela deputada federal Luizianne Lins (PT-CE) e outros 14 integrantes, deve receber nesta sexta-feira (3) a primeira visita consular após terem sido detidos pelas Forças Armadas de Israel. O grupo estava a bordo da flotilha humanitária que tentava chegar à Faixa de Gaza e foi interceptado pela Marinha israelense na noite de quarta-feira (1°).

A confirmação da visita foi dada em reunião entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e deputados federais que acompanham o caso. Parlamentares classificaram a ação israelense como “ato ilegal”, já que a interceptação ocorreu em águas internacionais.

Eles também relataram ter recebido informações sobre interrogatórios considerados ilegais, conduzidos sem a presença de representantes consulares ou advogados. De acordo com a equipe de Luizianne Lins, a deputada permanece incomunicável desde a abordagem militar, sendo o último contato registrado às 18h30 da quarta-feira.

Posição do Itamaraty

Em nova nota, divulgada nesta quinta-feira (2) o Ministério das Relações Exteriores condenou a “interceptação ilegal e a detenção arbitrária” promovida por Israel, classificando a ação como “grave violação ao direito internacional”.

O comunicado exige a liberação imediata dos cidadãos brasileiros e dos demais ativistas detidos. “O Brasil conclama a comunidade internacional a exigir de Israel a cessação do bloqueio à Gaza, por constituir grave violação ao direito internacional humanitário. O Brasil expressa sua posição de que Israel deverá ser responsabilizado por quaisquer atos ilegais e violentos cometidos contra a Flotilha e contra os ativistas pacíficos que dela participam e deverá assegurar sua segurança, o bem-estar e integridade física enquanto permanecerem sob a custódia de autoridades israelenses”, diz a nota.

Resposta israelense

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu elogiou a atuação de suas forças navais após a operação. “Felicito os soldados e comandantes da Marinha que cumpriram sua missão no Yom Kippur da maneira mais profissional e eficiente. Sua importante ação impediu que dezenas de embarcações entrassem na zona de guerra e repeliu uma campanha de deslegitimação contra Israel”, declarou em comunicado.

Segundo representantes israelenses, mais de 400 ativistas foram detidos e transferidos para o porto de Ashdod, no sul de Israel. Nenhum barco conseguiu romper o bloqueio naval. O rastreador da Global Sumud Flotilla indica que apenas o barco Marinette segue em movimento e ainda não foi interceptado. “Se ele se aproximar, também será impedido de entrar em uma zona de combate ativa e romper o bloqueio”, acrescentou o Ministério da Defesa de Israel.

Delegação brasileira

Ao todo, 14 brasileiros foram detidos:

  • Thiago Ávila, no barco Alma;
  • Bruno Gilga, Lisiane Proença, Magno Costa, Mariana Conti (vereadora do PSOL) e Nicolas Calabrese (argentino residente no Brasil), no barco Sirius;
  • Ariadne Telles e Mansur Peixoto, no barco Adara;
    Gabriele Tolotti (presidente do PSOL-RS) e Mohamad El Kadri, no barco The Spectre;
  • Lucas Gusmão, no barco Yulara;
  • João Aguiar, no barco Mikeno, o único a alcançar águas palestinas antes de ser interceptado;
  • Luizianne Lins, no barco Grand Blue;
  • Miguel Bastos, no barco Catalina.

O jornalista Hassan Massoud, correspondente da Al Jazeera, também integra a delegação, mas estava no barco Shireen, dedicado a apoio jurídico, e não foi detido.

A missão

A Flotilha Global Sumud partiu de Barcelona, na Espanha, no fim de agosto, levando ativistas, parlamentares e lideranças sociais de vários países com destino a Gaza. O objetivo era transportar alimentos, água potável e suprimentos médicos diante da crise humanitária na região.

Esta não foi a primeira vez que a missão enfrentou hostilidade. Em 23 de setembro, Luizianne Lins relatou que embarcações haviam sido alvo de drones, em uma tentativa de intimidar e sabotar a chegada da ajuda humanitária.

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