Daqui um ano, no dia 4 de outubro de 2026, os brasileiros retornam às urnas para escolher o presidente e o vice-presidente da República, governadores e seus vices, senadores e deputados (federais e estaduais) nas eleições gerais. Até lá, a corrida eleitoral já ganha seus primeiros contornos embalada por acontecimentos que movimentam o Brasil e o mundo.
No seu terceiro mandato, o presidente Lula (PT) já sinalizou que deve tentar a reeleição, mas ainda não confirmou a decisão oficialmente.
Já o seu principal adversário, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de estado nas eleições de 2022 e tornou-se inelegível antes mesmo da decisão do Supremo, por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, em decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Seus aliados se preparam para representá-lo em uma eventual disputa contra o petista, enquanto se mobilizam em torno do projeto de anistia para os condenados no contexto da tentativa de golpe. Daí surgem nomes como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, os irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro, e uma lista de governadores que inclui: Tarcísio de Freitas, de São Paulo; Romeu Zema, de Minas Gerais; e Ratinho Júnior, do Paraná.
Diferente do que acontece com Bolsonaro, inelegível, um eventual substituto de Lula nas eleições de 2026 é pouco falado, com menções tímidas aos ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Camilo Santana (Educação), mas em um cenário que ainda parece distante.
Ainda no escopo da condenação de Jair Bolsonaro, a aplicação de tarifas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Brasil ecoa de forma significativa nos rumos eleitorais do país.
A ação do norte-americano, apresentada como uma resposta ao julgamento de Bolsonaro e ao que ele classificou como “caça às bruxas”, foi celebrada como um demonstrativo da influência do ex-presidente, que conta com o apoio do líder da maior potência mundial. Mas não foi o suficiente para intimidar Lula, que logo puxou uma onda nacionalista sob o mote “O Brasil é dos brasileiros”.
A influência de Bolsonaro também se manifesta no Congresso Nacional e impõe desafios ao presidente Lula, que encontra uma nova configuração de poder no Legislativo, muito diferente daquela dos anos 2010, quando deixou o seu segundo mandato com aprovação em 87%. Agora, ele se depara com uma oposição barulhenta e o orçamento na mão dos parlamentares, que disputam o controle de emendas.
Entre vitórias e derrotas, Lula se equilibra para manter a avaliação positiva da sua gestão, que se recupera em 33% (segundo Datafolha de setembro), após registrar o pior índice de todos os seus mandatos – chegando a 24% em fevereiro deste ano. Por outro lado, nas pesquisas de intenção de voto para o ano que vem, Lula lidera em todos os cenários.
A crescente pode se manter neste momento em que o governo celebra a aprovação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, uma das promessas de campanha. O projeto de Lula foi aprovado pela Câmara por unanimidade na última quarta-feira (1º) e chega ao Senado com a mesma expectativa.
Ainda na agenda da era Lula 3, além da isenção do IR, estão Reforma Tributária, fim da escala 6×1 e regulamentação das Big Techs. Os temas encontram ambiência em Brasília com a vitória recente.
O avanço do projeto de isenção também pode ser lido como uma resposta dos parlamentares após a repercussão negativa da PEC da Blindagem, que previa a proibição de abertura de ações criminais contra deputados e senadores sem autorização do Parlamento. O projeto, aprovado na Câmara, expôs deputados que foram duramente criticados por seus votos favoráveis à proposta. No Senado, o texto foi derrubado já na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
O movimento também pode ter forte impacto nas eleições para deputados e senadores no ano que vem. Parlamentares se viram completamente expostos no exercício que com pouca frequência é fiscalizado pela população e acenderam o debate sobre a importância da representação nas casas legislativas.




