O clã Bolsonaro e seus aliados ainda não se manifestaram publicamente após a declaração do presidente Lula (PT) sobre conversa por telefone com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na manhã desta segunda-feira (6).
Passadas algumas horas, o silêncio ainda persiste, apesar do presidente americano já ter publicado nas redes sociais que a conversa foi “muito boa” e que ambos irão “se reunir em um futuro não muito distante”.
Um dos assuntos da conversa foi a tarifação sobre importações brasileiras. Vale destacar que, no passado, o próprio Trump atribuiu a cobrança a uma ação contra o julgamento de Bolsonaro.
Reações anteriores da oposição ao tarifaço de Trump
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) se manifestou prontamente ao tarifaço de Trump. À época, logo após o seu pai Jair Bolsonaro (PL) ter prisão domiciliar decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, Eduardo Bolsonaro reforçou em entrevista ao O Globo, em 6 de agosto, que o tarifaço de Trump contra produtos brasileiros estaria relacionado ao julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo. Eduardo ressaltou, ainda, trabalhar para que os EUA aumentem as sanções sobre o Brasil.
“Trabalho sim, neste sentido. Estou levando a prisão ao conhecimento das autoridades americanas e a gente espera que haja uma reação. Não é da tradição do governo Trump receber essa dobrada de aposta do Alexandre de Moraes e nada fazer”, disse Eduardo.
Governistas elogiam conversa
O ministro de Lula, Paulo Paim (PT-RS), destacou o telefonema entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “Lula descreveu o contato como uma oportunidade para a restauração das relações amigáveis de 201 anos, entre as duas maiores democracias do Ocidente”, disse.
O vice-presidente e Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin disse ver com bons olhos o diálogo e a disposição para negociação entre os dois líderes. Alckmin disse que o presidente da República afirmou que as sanções contra autoridades brasileiras não são justas e que o tema deveria ser rediscutido. “Nós somos muito otimistas que vamos avançar para o ganha-ganha, nessa relação com investimentos recíprocos e equacionamento da questão tarifária”, acrescentou.
Tarifaço
A tarifa de exportação atua como um imposto adicional sobre os produtos brasileiros que entram nos Estados Unidos. Diversos países, como a Índia, China, Canadá entre outros foram impactados. No Brasil, a medida inclui uma tarifa de 50% sobre itens como café, carne bovina e frutas.
Exportadores brasileiros disputam o mercado americano com produtores internos. Na prática, ao entrar nos Estados Unidos, o valor original dos produtos nacionais recebe um acréscimo equivalente à metade do seu preço, o que encarece ou até mesmo inviabiliza a comercialização em solo americano.




