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Ceará

Segurança Pública, troca de comandos e Ceará Sem Fome marcam retrospecto do governo Elmano a um ano das eleições 

Ao longo de três anos, governador do Ceará enfrentou desafios já conhecidos no Ceará e novos obstáculos
Por Júlia Meira
Atualizado há 7 meses
Tempo de leitura: 8 mins
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Ao longo desses três anos, o governo do petista tem sido marcado por programas sociais. Foto: Hiane Braun/Casa Civil

O Brasil entrou na contagem regressiva de menos de um ano para as próximas eleições, que acontecem em 4 de outubro de 2026, e o Ceará segue em um meio-termo quanto às definições de candidaturas ao Executivo estadual.

Em 2022, eleito no primeiro turno com 54,02% dos votos (2.808.300), Elmano de Freitas (PT) superou Capitão Wagner (União Brasil), que obteve 31,72% (1.649.213 votos), e Roberto Cláudio (até então no PDT), que registrou 14,14% (734.976 votos). Agora, o cenário parece se desenhar o mesmo.

Neste momento, o retrospecto da gestão de Elmano pesa. Ao longo desses três anos, o governo do petista tem sido marcado por programas sociais, como o Ceará Sem Fome, uma reforma administrativa, desafios na área da segurança pública e uma relação próxima com o governo do presidente Lula – interlocução com o Executivo federal que o seu antecessor e cabo eleitoral, o atual ministro da Educação, Camilo Santana, não teve durante seu mandato, quando Jair Bolsonaro era presidente.

Segurança pública

Desafio para todos os estados brasileiros, a segurança pública segue sendo o maior obstáculo de Elmano. O Ceará enfrenta uma situação complexa de criminalidade, marcada por disputas entre facções interestaduais. Esses grupos competem por territórios e mercados ilegais no estado.

O jornalista e cientista político Ricardo Moura explica o cenário e defende que a resposta a esse tipo de criminalidade não deve ser atribuída apenas a um estado. “A gente assiste ao confronto entre duas organizações criminosas que vêm do Rio, que disputam o território, e a gente também tem a sombra do PCC, que é uma organização paulista que também busca criar mercados e mantê-los em solo cearense. Então, a resposta a esse tipo de criminalidade, a esse ecossistema criminoso, não passa apenas por um estado”, afirma. 

Em seu governo, Elmano promoveu grandes mudanças na área da segurança pública, especialmente com a posse de Roberto Sá como secretário da SSPDS, em maio de 2024, sucedendo Samuel Elânio.

Outro passo importante foi a criação do Sistema de Metas Integradas de Segurança Pública, uma iniciativa do programa Ceará Contra o Crime, também criado por Elmano, com o objetivo de reduzir a violência e a criminalidade, além de melhorar a integração entre os órgãos de segurança.

O sistema se baseia em metas pré-estabelecidas anualmente e integra todas as forças de segurança do estado e dos municípios, visando garantir maior eficiência nas ações de segurança pública.

Um ponto relevante para o Ceará e todos os estados brasileiros é a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, de autoria do Poder Executivo, no Congresso Nacional. O texto propõe integrar as políticas públicas de segurança dos estados e da União.

O especialista argumenta que a aprovação da PEC é fundamental para tornar mais efetivo o combate à criminalidade. “Tem um movimento incessante de troca de gerentes, de mudanças, de tomadas de posição e tudo isso é um grande desafio para as polícias. Por isso a gente precisa de uma ação que possa ter suporte do governo federal. A gente precisa da aprovação da PEC da Segurança Pública, precisamos ter novas governanças no sentido dessa repressão qualificada”, explica. 

Ricardo Moura também aponta como essa situação fortalece a oposição do atual governo. “Esse cenário é explorado, ele dá sobrevida à oposição, ele faz com que os adversários se coloquem como uma alternativa, mas ao mesmo tempo é preciso que os opositores ao governo Elmano também tragam propostas”, afirma o cientista político. “O que a gente percebe é que há uma fadiga do eleitor em relação ao debate, no sentido de que o eleitor está descontente, ele se sente inseguro, mas ao mesmo tempo ele não se encanta por propostas alternativas”, conclui. 

Reforma administrativa

Em dezembro de 2024, Elmano anunciou a reforma administrativa em seu governo com a troca da chefia de 13 secretarias e órgãos

A reforma foi iniciada com o novo comando da Casa Civil, assumindo Chagas Vieira, que já havia sido chefe da pasta estadual nos governos Camilo e Izolda. 

Além de Chagas, os novos titulares foram: a vice-governadora Jade Romero na Secretaria da Proteção Social; Eduardo Bismarck na Secretaria do Turismo; Lia Gomes na Secretaria das Mulheres; Domingos Filho na Secretaria do Desenvolvimento Econômico; Fernando Santana na Secretaria dos Recursos Hídricos; Nelson Martins na Secretaria da Articulação Política; Gabriel Rochinha na Assessoria Especial de Chefia de Gabinete; Frank Ranier Prado na Assessoria Especial de Assuntos Comunitários; Luiza Martins na CearáPar; Max Quintino no Complexo Industrial e Portuário do Pecém; Waldemir Catanho no Detran; Lena Ximenes na TV Ceará; Guilherme Sampaio como líder do Governo na Alece; e Erich Douglas na Secretaria da Proteção Animal

Ceará Sem Fome

Lançado em junho de 2023, o Pacto por um Ceará Sem Fome foi uma promessa de campanha de Elmano, que prometeu criar um programa de combate à fome com cozinhas solidárias. Criada pela lei nº 18.312/2023, a ação reúne os esforços da Secretaria da Proteção Social (SPS), comandada pela vice-governadora Jade Romero, e pela Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA), chefiada por Moisés Braz. 

O programa permanente reúne instituições públicas e privadas com ações como o Cartão Ceará sem Fome, que todos os meses dá R$ 300 para que a população em situação de pobreza ou extrema pobreza se alimente. 

Além disso, existe a rede de unidades sociais produtoras de refeições, que, localizadas na Capital e no interior do estado, produzem e distribuem refeições saudáveis. 

A frente do projeto, como articuladora, a primeira-dama Lia de Freitas tem dado seguimento nos dois anos de existência do programa. Hoje, mais de 47 mil famílias são beneficiadas pelo Ceará sem Fome. 

Tarifaço de Trump

Com a política do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano), de taxar produtos brasileiros comercializados no país, o Ceará foi o estado mais afetado pelo tarifaço. Diante disso, o governador Elmano de Freitas decretou situação de emergência no estado após a medida entrar em vigor.

Os esforços do governo estadual e dos empresários cearenses foram efetivos: em agosto, o governador assinou um decreto que regulamenta ações de apoio às empresas afetadas pela nova política financeira. Entre as medidas adotadas estão: auxílio financeiro às empresas que exportam para os Estados Unidos, aquisição de produtos para programas como Ceará Sem Fome e restaurantes universitários, antecipação do pagamento de créditos de ICMS, ampliação de incentivos fiscais e criação de um Comitê Estratégico para acompanhar a execução das medidas.

Elmano também se reuniu com o embaixador da China para viabilizar novas parcerias econômicas.

De olho em 2026

Para o próximo ano, os nomes cotados são, em grande parte, os mesmos. Na pesquisa do instituto Real Time Big Data, divulgada recentemente, o governador aparece à frente do ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, com uma vantagem de 14 pontos percentuais. 

Em um segundo cenário, Elmano lidera com 38%, seguido por Roberto Cláudio, com 22%, e Capitão Wagner, com 17%. O senador Eduardo Girão (Novo) aparece com 12%. 

No terceiro cenário, Elmano (38%) empata com Ciro Gomes (37%), seguidos por Girão (14%). 

Já no quarto e último cenário, o atual governador empata novamente com o ex-ministro. São registrados 43% pontos percentuais para Ciro e 42% para Elmano.

Outra sondagem, do instituto Paraná Pesquisas, realizada entre 14 e 18 de maio, também mostrou Elmano na liderança das intenções de voto, tanto na pesquisa espontânea quanto na estimulada.

Para o cientista político, a indefinição de candidaturas favorece o atual governo, e a tendência do eleitorado é pela continuidade.

“Enquanto isso [definição] não acontece e talvez não se saiba em que medida isso possa acontecer, isso é algo que beneficia quem ocupa o governo na atualidade. Porque há sempre uma perspectiva do eleitor de manter as coisas, embora esteja com alguns descontentamentos”, concluiu Ricardo.

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