Quando pensamos em Acidente Vascular Cerebral (AVC), a imagem que vem à mente geralmente é de uma pessoa idosa. Mas os números contam outra história: em 2024, 21% dos pacientes internados na Unidade de AVC do Hospital Regional do Cariri, em Juazeiro do Norte, tinham menos de 55 anos. O dado acende um alerta importante sobre como nosso estilo de vida está impactando a saúde do coração – e do cérebro.
As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil, e o AVC é um dos principais vilões. Dados da Planisa, consultoria especializada em gestão de saúde, revelam que a cada 6,5 minutos uma pessoa morre por AVC no país. Entre 2019 e setembro de 2024, foram mais de 85 mil internações, com gastos que ultrapassaram R$ 910 milhões.
Por que os jovens estão no radar?
O neurologista João Igor Landim, que atua no Hospital Regional do Cariri, é direto ao apontar os culpados: “O estilo de vida contemporâneo está sendo marcado por sedentarismo, má alimentação, estresse crônico, uso de álcool e drogas ilícitas, tabagismo e sono irregular”. Esses fatores contribuem para hipertensão, diabetes tipo 2, obesidade e colesterol alto – verdadeiros gatilhos para o AVC, inclusive em jovens.
Mas não é só isso. João Igor explica que o AVC em jovens também pode estar relacionado a causas não tradicionais, como doenças autoimunes, cardiopatias estruturais, trombofilias hereditárias e até o uso de contraceptivos hormonais.
O médico Gustavo Araripe, do Hospital Regional Vale do Jaguaribe, em Limoeiro do Norte, reforça que a prevenção dessas complicações passa por controlar os fatores de risco, manter uma alimentação equilibrada e praticar atividade física regularmente.
Reconhecer os sinais pode salvar vidas
O AVC acontece quando o fluxo de sangue para uma parte do cérebro é interrompido – seja por entupimento ou rompimento de vasos. Os sintomas costumam surgir de forma repentina: perda súbita de força em um braço, visão dupla, fala arrastada ou confusa, tontura e desequilíbrio são os principais alertas.
Segundo o neurologista João Igor, há um intervalo de até quatro horas e meia para o uso de uma medicação chamada trombolítico, que dissolve o coágulo e pode evitar sequelas mais graves. “Quanto mais rápido o paciente chega ao hospital, maior a chance de recuperação”, destaca.
A boa notícia? Jovens tendem a se recuperar melhor graças à maior plasticidade cerebral, mas isso exige reabilitação precoce e mudanças no estilo de vida.
Os brasileiros estão de olho na saúde
Uma pesquisa do Instituto Ipsos, realizada com 2 mil pessoas em todo o Brasil, mostra que o tema está na cabeça das pessoas: 64% dos entrevistados afirmaram ter adotado novos hábitos pela saúde cardiovascular. Entre as mudanças, 70% passaram a se alimentar melhor, 64% começaram a se exercitar e 45% buscaram reduzir o estresse.
“Esta pesquisa é uma prova de que as pessoas estão mais bem informadas e interessadas em preservar a saúde do coração, adotando comportamentos mais saudáveis. Isso significa um avanço importante se pensarmos que a nossa expectativa de vida mudou e a prevenção é o caminho do envelhecimento saudável”, comemora Maria Cristina Izar, presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo.
Prevenção é o melhor remédio
O Ministério da Saúde reforça que estar atento aos fatores de risco é fundamental: hipertensão, diabetes, colesterol alto, sobrepeso, tabagismo, sedentarismo e histórico familiar são os principais. O diagnóstico é feito por exames de imagem, como a tomografia computadorizada, que identifica a área afetada e o tipo do AVC.
A mensagem final dos especialistas é clara: controlar os fatores de risco e adotar um estilo de vida saudável não é apenas uma recomendação médica – é uma necessidade urgente para que o AVC deixe de ceifar vidas cada vez mais jovens.




