O Brasil deu um passo decisivo rumo à autonomia digital com o lançamento do ‘SoberanIA’, iniciativa que prevê até R$ 100 bilhões em investimentos e a construção da maior infraestrutura de inteligência artificial da América Latina.
Apresentado pelo governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), durante o Encontro Nacional de IA Soberana, o projeto reúne Governo do Estado, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Telebras, Scala Data Centers e Modular para criar uma arquitetura nacional capaz de proteger dados estratégicos, ampliar a capacidade computacional do país e fornecer soluções públicas baseadas em IA treinadas exclusivamente com informações brasileiras.
O ‘SoberanIA’, que nasceu como um sistema estadual e já opera produtos para a administração pública via API, passa agora de software a “Infraestrutura de Estado”, inaugurando um novo patamar de atuação tecnológica. Fonteles destaca que o impacto será direto na vida da população:
“O que esperamos com isso é, sobretudo, a melhoria da prestação do serviço público. A inteligência artificial permite que os serviços públicos evoluam de maneira mais eficiente, mais inclusiva, mais ágil e mais precisa. Esse investimento vai repercutir na qualidade do atendimento, como já estamos experimentando no Piauí, por exemplo, na saúde pública e na segurança pública”, relatou.
Com a nova aliança, o projeto inicia a implantação de uma infraestrutura física inédita no país: nuvem soberana, datasets nacionais e capacidade computacional operada em território brasileiro. A proposta integra desde a energia renovável que alimenta os processadores até o software final.
O sistema também ampliou a maior base de dados em português do mundo, que passou de 130 bilhões para 350 bilhões de tokens, validada para uso comercial. Essa tecnologia impulsiona iniciativas como o Piauí Oportunidades, que gera trilhas de ensino personalizadas, e o BO Fácil, que permite registrar ocorrências policiais por voz pelo WhatsApp. Com o lançamento nacional, gestores de todo o país podem acessar modelos generativos treinados com dados totalmente nacionais.
Três pilares de infraestrutura: Piauí, Brasília e Sul do país
A próxima fase estabelece três núcleos integrados para o ‘SoberanIA’:
Fábrica de IA do Piauí (Teresina): Centro de pesquisa, desenvolvimento e treinamento dos modelos fundacionais. Funciona com energia limpa e abriga equipes de cientistas responsáveis pelo aprimoramento contínuo das aplicações.
Cofre de Dados (Brasília): Operado pela Telebras, será o repositório soberano das bases estratégicas do Estado. Localizado em data center Tier IV dentro de área militar, garante governança e alta segurança das informações públicas.
Distrito Soberano (Sul do país): Região escolhida pela estabilidade energética e clima adequado para operação de GPUs. Abrigará treinamentos contínuos, atualizações e inferências em larga escala, garantindo redundância e disponibilidade nacional.
A ideia é que conforme o projeto avance, novos estados integrem a rede, modernizando parques computacionais locais e criando polos regionais de alta performance. Todo o ecossistema segue padrões internacionais de sustentabilidade e está alinhado ao programa Nova Indústria Brasil (NIB), que prevê estímulo à indústria nacional e capacitação de profissionais.
Com informações do Governo do Piauí.


