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Ceará

Fortaleza recebe novo cabo submarino entre Brasil e EUA e amplia liderança como hub digital das Américas

Projeto Synapse, da V.tal, terá ramificação na Praia do Futuro, foco em inteligência artificial e deve elevar para 18 o número de cabos submarinos conectados à capital cearense
Por Sandra Costa
Atualizado há 1 mês
Tempo de leitura: 4 mins
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A capital cearense será integrada ao projeto Synapse, cabeamento submarino em construção pela V.tal, que ligará diretamente o Brasil aos Estados Unidos. Foto: Anatel

Fortaleza, já reconhecida como o maior ponto de conexão de cabos submarinos de fibra óptica das Américas, vai reforçar ainda mais sua posição estratégica no cenário global de conectividade. A capital cearense será integrada ao projeto Synapse, cabeamento submarino em construção pela V.tal, empresa controlada pelo BTG Pactual, que ligará diretamente o Brasil aos Estados Unidos, conforme anunciado nesta terça-feira (20), durante o evento Pacific Telecommunications Council (PTC), realizado no Havaí.

Batizado de Synapse, o sistema terá aproximadamente 9,7 mil quilômetros de extensão, com pontos de ancoragem entre Tuckerton, em New Jersey (EUA), e Praia Grande, em São Paulo. Ao passar pela costa cearense, o projeto contará com uma ramificação adicional de cerca de 460 quilômetros, conectando Fortaleza aos 16 pares de fibra óptica do cabo principal.

Com a nova infraestrutura, o número de cabos conectados na Praia do Futuro deve chegar a 18, considerando estruturas ativas e em implantação. O início das obras está previsto para o segundo semestre de 2026, com conclusão estimada entre 2029 e 2030. O valor do investimento não foi divulgado.

Segundo a V.tal, o Synapse utilizará a mais recente geração de tecnologia em cabos submarinos e roteadores ópticos, com expectativa de oferta de serviços de transporte de dados de até 800 gigabits por segundo (Gbps). A nova conexão será integrada ao data center Mega Lobster da Tecto, empresa do mesmo grupo, localizado na Praia do Futuro e inaugurado no fim de 2025. Atualmente, o empreendimento é o maior data center em operação no Nordeste, com capacidade de 20 megawatts de potência total.

Em nota, a V.tal destacou que a integração do novo cabo à infraestrutura local “fortalece a posição estratégica de Fortaleza como hub internacional de conectividade” e responde à crescente demanda por redes digitais de alta capacidade e baixa latência, especialmente impulsionadas por aplicações de inteligência artificial (IA) e computação em nuvem.

O Pacific Telecommunications Council é um encontro global que reúne líderes dos setores de conectividade, cabos submarinos, nuvem e data centers, realizado no Havaí. De acordo com a empresa, o Synapse foi concebido para atender às necessidades de big techs, hyperscalers e provedores globais de conteúdo, que demandam infraestruturas robustas para suportar o aumento exponencial do tráfego de dados.

“Ao integrar infraestrutura submarina, terrestre e de data centers, estamos construindo uma plataforma robusta, escalável e preparada para o futuro, capaz de sustentar o crescimento da economia digital global”, afirmou Felipe Campos, CEO da V.tal, em comunicado da companhia. A companhia projeta que a nova conexão contribua para o desenvolvimento econômico, a atração de novos negócios, a inovação tecnológica e o fortalecimento das relações digitais entre Brasil e Estados Unidos.

Com o novo investimento, o Ceará consolida seu protagonismo na economia digital. Além de concentrar o maior número de cabos submarinos do continente, o Estado vem se destacando como polo de data centers, com projetos na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) e iniciativas voltadas à expansão da infraestrutura necessária para IA, cloud computing e serviços digitais avançados.

Atualmente, Fortaleza conta com 17 cabos submarinos conectados, sendo apenas um deles inativo, responsáveis por grande parte do tráfego internacional de dados do Brasil. A partir da capital, há conexões diretas com países da América do Norte, América Central, Europa e África, além de rotas indiretas para a Ásia e a Oceania. Entre os sistemas em operação estão cabos como Monet, EllaLink, AMX-1, SACS, GlobeNet, SAC e SAm-1, entre outros.

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