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Educação

Entre livros e telas: Brasil alfabetiza nova geração de estudantes com apoio de recursos digitais

Crianças nascidas na era digital interpretam o mundo de forma diferente e demandam estratégias pedagógicas adaptadas
Por UrbNews
Atualizado há 2 semanas
Tempo de leitura: 5 mins
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Foto: Colégio Master

As instituições de ensino brasileiras trabalham para alfabetizar um novo perfil de estudantes: os nativos digitais. Essas crianças crescem imersas em ambientes tecnológicos e interpretam o mundo ao seu redor de forma diferente das gerações anteriores. A alfabetização e o letramento ampliam essa capacidade de interpretar e produzir cultura. O processo fomenta a participação nas práticas sociais ligadas à escrita e à leitura.

A pedagoga Jessyca Maria aponta para a importância de utilizar recursos digitais sem perder a intencionalidade pedagógica: “usar a tecnologia sem perder a essência educativa”.

Compreender como a era digital pode auxiliar na alfabetização tornou-se fundamental para educadores e gestores públicos. No Brasil, o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada estabelece como meta garantir o direito à alfabetização das crianças brasileiras até o final do 2º ano do ensino fundamental, além de focar na recuperação das aprendizagens das crianças do 3º, 4º e 5º ano afetadas pela pandemia. O programa estabelece, entre seus princípios, a promoção da equidade educacional, considerando aspectos regionais, socioeconômicos, étnico-raciais e de gênero. 

Tecnologia: aliada ou inimiga?

Os alunos nativos digitais têm acesso a uma lógica diferenciada de produção de conteúdo. A circulação de informações na internet exige maior atenção à cybersegurança. O fenômeno da pós-verdade e as diferentes formas de apresentação da informação também demandam cuidado.

A tecnologia atua como recurso de apoio à aprendizagem. Ela estabelece conexões com o processo de alfabetização por meio de abordagens didáticas que utilizam ferramentas de comunicação. Essas ferramentas foram amplamente utilizadas durante a pandemia em janelas remotas por todo o país.

A perspectiva interativa, multimidiática e multilinguística oferece possibilidades de ampliar a linguagem no trabalho alfabetizador. A conexão da criança de maneira interativa e engajada com os recursos digitais permite que o docente mantenha a intencionalidade pedagógica.

Jessyca reforça essa visão: “Acredito que o método tradicional e a tecnologia podem caminhar juntas com o mesmo propósito que é alfabetizar. Existem recursos tecnológicos didáticos e lúdicos que auxiliam no processo de alfabetização, e auxiliam os alunos nesse processo de forma mais prazerosa”.

A tecnologia funciona como complemento valioso. Ela não deve substituir as interações sociais, sensoriais e experienciais essenciais para o desenvolvimento infantil. O equilíbrio adequado garante que a tecnologia seja uma aliada no processo de alfabetização. Nesse ponto, a fala de Jessyca dialoga diretamente com a necessidade de caminhos variados: “Muitas vezes o aluno apresenta dificuldades em um determinado método, e quando lhe é apresentado outro, ele têm mais mais chances de conseguir aprender”. 

Ela também lembra que cada criança possui seu próprio ritmo: “Vale ressaltar que cada criança tem seu ritmo de aprendizagem. E que a parceria entre escola e família são aliados importantes para que a criança consiga desenvolver suas habilidades e potencial de forma gradativa”. 

Ferramentas e técnicas que podem ajudar no processo de alfabetização

Os professores incorporam ferramentas de leitura, audiolivros e tecnologias de texto para fala (TTS) em sala de aula. Esses recursos tornam o conteúdo acessível em formatos auditivos.

Jogos e aplicativos educacionais incentivam os alunos a praticarem habilidades de leitura e escrita de maneira lúdica. Eles criam oportunidades de aprendizagem diferenciadas.

Segundo a pedagoga: “Uma das vantagens é o aluno ter além do método tradicional, recursos tecnológicos que podem ser mediadores do conhecimento, dessa forma, ampliando diversas formas de comunicação e ajudando os alunos a desenvolverem habilidades importantes”. 

Dados nacionais

Até o fim de 2025, o Brasil esperava que ao menos 64% dos estudantes concluintes do 2º ano do ensino fundamental estivessem plenamente alfabetizados. Isso significa serem capazes de ler frases e textos curtos e, ainda, localizar informações explícitas em textos curtos, como os de bilhetes ou crônicas, entre outras habilidades definidas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Para 2030, a meta é mais ambiciosa: no mínimo, 80% das crianças brasileiras devem saber ler e escrever ao fim do 2º ano do ensino fundamental.

Em 2024, a proposta do compromisso nacional foi de ter 60% dos estudantes alfabetizados, mas as redes de ensino “passaram raspando”: 59,2% dos 2 milhões de crianças brasileiras avaliadas pelos estados nessa etapa de ensino, em 42 mil escolas brasileiras, alcançaram o Indicador Criança Alfabetizada, ou seja, foram consideradas alfabetizadas.

O Compromisso Nacional Criança Alfabetizada opera em regime de colaboração e corresponsabilização entre a União, os estados e os municípios, com metas pactuadas de resultado de alfabetização com monitoramento e acompanhamento. O programa já tem a adesão de todos os estados e de 99% dos municípios. As estratégias incluem apoio técnico e financeiro da União para melhorar a infraestrutura física e pedagógica das escolas públicas, oferta de materiais didáticos complementares para estudantes e de materiais pedagógicos para professores, além de sistemas de avaliação da alfabetização.

Quando usada de maneira planejada, a tecnologia contribui para a inclusão escolar. Ela atende às diversas necessidades das crianças e amplia as estratégias metodológicas. 

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