O estudante de agronomia Hector Lucena foi o segundo maranhense a receber doses de polilaminina para tratar um trauma na medula óssea. Em entrevista à Urbnews, o paciente relatou melhorias iniciais na sensibilidade e intensificação dos reflexos apenas um dia após o procedimento.
“Com 24 horas eu e o meu fisioterapeuta notamos que minha respiração havia melhorado um pouco. Senti frieza nas pernas, algo que eu não sentia antes da polilaminina e tive alguns reflexos nos estímulos que o fisioterapeuta passa. Ainda não senti o toque. Mas, sim, já tive resultados com pouco tempo”, afirmou.
Hector vem compartilhando sua rotina de evolução nas redes sociais. Em recente registro divulgado, o receptor da polilaminina já consegue se manter em pé com ajuda, o que representa um grande avanço comparado ao seu estado anterior.
O jovem recebeu a substância em 21 de fevereiro, quase três meses após a lesão. No primeiro dia após a aplicação, ele relatou melhorias significativas em seu quadro clínico, destacando a importância do acompanhamento fisioterapêutico contínuo.
Hector tomou conhecimento de que a polilaminina poderia ser uma alternativa ao seu caso por meio das redes sociais e deu início a uma ordem judicial: “Eu descobri com 2 meses depois do meu acidente que eu poderia tomar a medicação, pois tinha até 90 dias para aplicar. Descobri através das redes sociais e dei entrada na documentação necessária”, relatou.
Natural de Balsas (MA), o estudante voltou para casa três dias depois do procedimento e segue em tratamento após aplicação do composto. A cirurgia foi realizada no Hospital da Alvorada em Imperatriz (MA), com participação de um neurocirurgião e do médico Olavo Franco, pesquisador da proteína reparadora que trabalhou com a doutora Tatiana Sampaio nas pesquisas da substância.
O profissional foi ao Maranhão especialmente para realizar a intervenção, que durou cerca de 40 minutos. “A gente tem muita esperança de que ele (Hector) possa recuperar seus movimentos e possa ter uma qualidade de vida muito melhor do que se não recebesse a medicação”, afirmou o médico sobre o caso.
O primeiro paciente a receber a polilaminina no Maranhão foi o sargento Romildo Leobino que, em menos de uma semana, apresentou melhorias na respiração, aumento da força muscular e maior controle do tronco. Romildo foi baleado durante uma operação policial e iniciou o tratamento por meio de uma liminar judicial.
Substância regenerativa
A polilaminina começou a ser estudada há quase 30 anos pela bióloga Tatiana Sampaio, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ela criou uma rede de proteínas chamadas “lamininas” em um ambiente de laboratório.
O conjunto delas compõe a polilaminina, responsável pela recuperação dos axônios, a parte dos neurônios que atua como ponte para a transmissão de informações.
No momento, as aplicações feitas fora de estudos clínicos são realizadas em caráter compassivo, voltadas para pacientes com lesões medulares traumáticas completas e prognóstico negativo, com autorização judicial.




