Nesta segunda-feira (23), teve início o julgamento do caso Henry Borel, criança morta em 2021 no apartamento onde morava com a mãe e o padrasto. O júri popular foi adiado para o dia 25 de maio após a defesa de Jairinho, réu e padrasto da criança, abandonar o plenário. Com a ação, Monique Medeiros, mãe de Henry, que também é ré, recebeu liberdade provisória.
Em manifestação sobre o ocorrido, Leniel Borel, pai da criança, divulgou uma declaração afirmando que sentia como se o filho tivesse sido assassinado uma segunda vez: “Assassinaram o Henry pela segunda vez. É assim que eu me sinto como pai. A dor de perder meu filho de apenas 4 anos já é insuportável. Mas hoje ela se mistura com indignação, revolta e um sentimento profundo de injustiça. O julgamento foi adiado. A Justiça do Rio de Janeiro decidiu soltar uma das acusadas, mesmo diante de tudo que já foi comprovado: 23 lesões no corpo do meu filho”.
Borel também acrescentou que já vinha alertando sobre tentativas de adiamento do julgamento por parte dos acusados: “Há muito tempo venho alertando sobre uma estratégia clara de protelar esse júri. Uma tentativa constante de adiar a justiça, de coagir testemunhas, de me pressionar, de me calar. Mas eu não vou me calar”, escreveu.
Durante a sessão, a juíza Elizabeth Machado Louro sorteou o Conselho de Sentença, composto por seis mulheres e um homem, e chegou a ler a denúncia. No entanto, o júri foi interrompido após a equipe de advogados de Jairinho solicitar o adiamento do processo, alegando não ter tido acesso a todas as provas.
A juíza dispensou os advogados e adiou o julgamento, afirmando que a atitude da defesa do ex-vereador Jairinho foi “uma interrupção indevida do recurso processual, em franco desrespeito à orientação advinda do STF”. Elizabeth também determinou que os advogados deverão ressarcir os custos do julgamento desta segunda-feira (23).
Relembre o caso Henry Borel
Em março de 2021, o menino Henry Borel Medeiros, de quatro anos, morreu no apartamento onde vivia com a mãe e o padrasto, na Barra da Tijuca. Levado ao hospital já sem vida, o caso foi inicialmente apresentado como um acidente doméstico, mas exames revelaram que a criança sofreu morte violenta, com 23 lesões, incluindo danos no crânio, ferimentos internos e hematomas. A causa da morte foi hemorragia interna e laceração no fígado provocadas por ação contundente, resultado de agressões contínuas atribuídas ao padrasto, Jairinho. A investigação também apontou que a mãe, Monique, havia sido alertada previamente sobre as agressões, mas não tomou medidas para proteger o filho.



