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Política

Fim da escala 6×1 divide manifestações no 1º de Maio, com esquerda e direita nas ruas

Centrais sindicais e o Movimento VAT (Vida Além do Trabalho) terão manifestações em mais de 90 cidades, já a direita se concentrará apenas em São Paulo
Por UrbNews
Atualizado há 7 minutos
Tempo de leitura: 7 mins
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Além das tradicionais mobilizações de movimentos trabalhistas, a direita também prepara protesto na data. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O fim da escala 6×1 estará no centro dos debates neste 1º de Maio, que promete ser marcado por um cenário incomum. Além das tradicionais mobilizações de movimentos trabalhistas, sindicais e sociais alinhados à esquerda, a direita também prepara protesto na data.

Centrais sindicais e o Movimento VAT (Vida Além do Trabalho) terão manifestações em mais de 90 cidades, incluindo as principais capitais, a partir das 9 horas. Embora os atos sejam descentralizados -diferentemente do que ocorreu de 2018 a 2025-, a pauta é a mesma: redução da jornada de trabalho sem redução de salário, combate à pejotização, combate ao feminicídio e igualdade salarial entre homens e mulheres.

Já a direita fará uma manifestação política na avenida Paulista, a partir das 11h, reunindo 280 movimentos conservadores em prol da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência e para pedir liberdade para Jair Bolsonaro (PL), além de se posicionar contra o fim da escala 6×1.

As manifestações da esquerda na cidade de São Paulo começam pela manhã, a partir das 8h, no Palácio do Trabalhador, região central, organizadas pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes (SP) e pela Força Sindical.

Às 9h, o Movimento VAT e a central sindical CSP Conlutas fazem protestos pelo fim da escala 6×1, mas em locais diferentes. A central se reunirá na praça da República, e o VAT, na praça Roosevelt. No mesmo horário, começará a Festa do Trabalhador no paço municipal de São Bernardo do Campo (ABC), que vai até as 20h.

Os eventos ligados à esquerda contará com a presença de políticos como o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, a ministra do Meio Ambiente Marina Silva, a ex-ministra do Planejamento Simone Tebet, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho.

Haddad, Tebet e Marina irão ao ato da Força e devem discursar às 11h. Boulos irá para a manifestação do VAT e seu discurso também está previsto para as 11h. Marinho estará no ABC no final da tarde, e por volta das 17h deve discursar ao lado de Haddad e Tebet.

Os discursos políticos da direita começam às 14h, com a presença do senador Marcos Do Val (Podemos-ES). No Rio de Janeiro, os atos acontecem a partir das 14h, no posto 5 da praia de Copacabana. A manifestação reunirá toda a esquerda.

Rick Azevedo, vereador do Rio pelo PSOL e criador do VAT, diz esperar grande adesão popular, e por isso, está classificando a data como o maior 1º de Maio dos últimos tempos, tanto nas ruas quanto nas redes, em um cenário de retomada da mobilização trabalhista após anos de enfraquecimento.

Segundo Azevedo, a intenção é pressionar o Congresso pela aprovação do fim da escala 6×1 antes das eleições. Embora defenda a aprovação da PEC (proposta de emenda à Constituição) da escala 4×3, de sua autoria e da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), o vereador considera o projeto de lei do governo Lula -com redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e criação da escala 5×2- mais completo.

Azevedo afirma querer uma mudança efetiva na escala quanto antes. “Não tem como aceitar jogar para depois das eleições. Essa ideia é justamente para não passar nada, é isso que direita quer. E esses deputados só estão constrangidos agora por medo de perder voto. Estamos usando desse momento eleitoral. Quem quiser, que coloque suas digitais contrárias e arque com as consequências”, diz.

No ABC, berço do sindicalismo, a expectativa é de um grande evento reunindo cerca de 70 mil pessoas ao longo do dia. As apresentações de atrações musicais e os discursos políticos começam às 9h, no Paço Municipal, e terminam às 20h, com show da cantora Gloria Groove. Para entrar, é preciso levar dois quilos de alimentos.

Wellington Damasceno, presidente eleito do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, afirma que o 1º de Maio na região tem a intenção de resgatar o caráter simbólico da data. “Quando a gente deixa de fazer a comemoração, deixa de criar um simbolismo.” O evento contará com 26 sindicatos de todas as centrais, número superior ao do ano passado, atrações culturais e atos políticos intercalados ao longo do dia.

Entre as principais bandeiras está a redução da jornada de trabalho sem corte de salário e o fim da escala 6×1. Para ele, a discussão, que ganhou força nos últimos meses, extrapolou o ambiente sindical e passou a mobilizar a sociedade, o que considera como um avanço. “Que bom que essa pauta furou a bolha trabalhista”.

Sergio Nobre, presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), maior central do país, reforça o caráter histórico e político da data. Ele diz que o 1º de Maio é um momento de rememorar conquistas que “nunca vieram por dádiva” e de planejar as lutas futuras.

Sobre a jornada de trabalho, defende a redução para 40 horas e diz que a mudança vai além de debater uma simples rotina. “A escala 6×1 é mais do que uma escala, é discutir projeto de vida. O trabalhador precisa de tempo para a família, para saúde, lazer, cultura e para a sua própria formação. O trabalho é central, mas não pode impedir a vida.”

Miguel Torres, presidente da Força, afirma que a estratégia de fazer um 1º de Maio descentralizado busca aproximar os sindicatos de suas bases em um momento de polarização política e ataques a direitos trabalhistas.

Ele reforça que a pauta é unitária, mesmo com atos separados, e critica a abordagem da direita sobre a jornada. “Eles falam só da escala, não falam da redução da jornada”, afirma, lembrando que a última mudança ocorreu em 1988. Segundo Torres, sem reduzir a carga horária semanal, o fim da escala 6×1 perde sentido. “Fazer o fim da escala sem redução da jornada em si é trocar seis por meia dúzia”.

Ricardo Patah, presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores) e do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, o maior da América Latina, também enfatiza o impacto social da mudança, especialmente para trabalhadores do comércio e serviços, que ainda estão na escala 6×1 e que ele chama de “verdadeiros servidores públicos”.

O sindicalista afirma que a luta por redução da jornada é histórica, começou em 1917, e pode trazer justiça social. “Temos milhões de trabalhadores com jornadas exaustivas e salários baixos. Precisamos de um país mais equilibrado”.

A UGT prepara o lançamento da 12ª edição da Expo Paulista, em comemoração ao Dia do Trabalhador, na avenida Paulista, a partir das 10h. São 30 painéis ao ar livre com o tema “Isto É Conquista: Lutas e Vitórias do Trabalhador Brasileiro”, criados pelo estilista mineiro Ronaldo Fraga.

O ato dos movimentos ligados à direita na Paulista terá um discurso voltado aos empregadores, pregando a liberdade de negociação entre empregador e empregado e a manutenção da escala atual. Para esses grupos, a redução da jornada poderia impactar negativamente a economia e a geração de renda.

Giovani Falcone, presidente Movimento Aliança Nacional, diz ter escolhido o 1º de Maio para fazer manifestação por entender que é um dia é um dia do trabalhador e que a direita também os apoia, embora a pauta principal seja a defesa de Jair Bolsonaro (PL). “O trabalhador do livre comércio, ele quer a liberdade dele, ele pode trabalhar hoje e não trabalhar amanhã, o que acontece é que ele tem livre arbítrio, e ganha muito mais.”

*Cristiane Gercina, da Folhapress

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