A poucos meses do 59º Festival de Parintins, o preço das passagens aéreas no trecho Manaus–Parintins dispararam. Bilhetes aéreos entre a capital e a ilha, operados predominantemente pela Azul Linhas Aéreas, chegam a R$ 9,5 mil, valor que representa alta de 1.500% em relação aos preços habituais de até R$ 600.A alta mobiliza órgãos de fiscalização diante da suspeita de práticas abusivas durante a disputa entre os bois Garantido e Caprichoso.
O Ministério Público do Amazonas (MPAM) emitiu recomendações para que companhias se abstenham de condutas abusivas, com base no Código de Defesa do Consumidor. O órgão também acionou a Agência Reguladora dos Serviços Públicos Concedidos do Amazonas (Arsepam) para apurar possíveis irregularidades no transporte fluvial.
Em agendas recentes em São Paulo com representantes da Azul e da GOL, o prefeito de Parintins, Mateus Assayag, defendeu que a concorrência é a única ferramenta capaz de forçar a queda das tarifas. O prefeito destacou ainda que fatores como a alta dos combustíveis e a crise mundial impactam diretamente os preços
Justificativa
O cenário de alta ocorre mesmo com incentivos fiscais concedidos ao Amazonas, como a redução do ICMS sobre o querosene de aviação, criada justamente para estimular rotas regionais e baratear as passagens.
Na prática, porém, os preços seguem elevados. A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) justifica que a precificação é regida pela Lei nº 11.182/2005, que estabelece a liberdade tarifária no Brasil.Segundo a agência, o modelo é dinâmico e influenciado pela alta demanda e baixa antecedência na compra, sazonalidade e custos operacionais.
Em nota técnica, a ANAC alega que os preços exorbitantes são uma parcela ínfima de ocupação dos voos: “É comum que as empresas ofertem bilhetes mais caros à medida em que se aproxima a data da viagem, ou para períodos em que a demanda é muito elevada”, pontua.
Outro fator apontado é a redução da concorrência. Atualmente, apenas a Azul opera regularmente na rota. Há seis anos, seis empresas atuavam no trecho, cenário que favorecia maior competitividade e preços mais baixos.Além disso, houve queda na oferta de assentos, que passou de 69,2 mil em 2022 para 39,8 mil em 2025, uma redução de 42%, que pressiona o valor médio.
A limitação de aeronaves maiores, após restrições operacionais no aeroporto de Parintins, também contribuiu para a diminuição da capacidade e aumento das tarifas, evidenciando o gargalo logístico.
Via fluvial
Além da via aérea, o transporte fluvial também é alternativa, com garantias previstas em lei, como gratuidade ou desconto para idosos, pessoas com deficiência e pessoas com TEA, conforme legislação estadual e federal. Este ano, a Arsepam foi notificada para coibir a “venda casada” e garantir o cumprimento das gratuidades.
Atualmente, os preços de passagens nas embarcações variam entre R$ 450 a R$1.500 (ida e volta), dependendo do tipo de embarcação (lancha rápida ou barco convencional) e serviços incluídos.
Com informações do Toda Hora.




