Documentos do inquérito conduzido pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo sobre lavagem de dinheiro e atuação do PCC (Primeiro Comando da Capital) identificaram novos pontos de ligação entre a advogada e influenciadora Deolane Bezerra, presa na manhã desta quinta-feira (21), e integrantes da facção criminosa. As evidências apontam diversas atividades consideradas suspeitas por parte da investigada.
Segundo informações obtidas e divulgadas pela CNN Brasil, um relatório produzido pela Delegacia Seccional de Presidente Venceslau afirma que a equipe de investigação identificou diversos indícios que vinculam Deolane Bezerra à família de Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como “Marcola”, além de gestores financeiros da facção.
O relatório cita a advogada ao lado de pessoas apontadas como líderes ou integrantes do PCC, como Marcola, o irmão dele, Alejandro Juvenal Herbas Camacho, conhecido como “Gordão”, e também aponta uma proximidade entre Deolane e Paloma Sanches Herbas Camacho, filha de Gordão.
A investigação aponta que as duas mulheres já moraram na mesma região e mantinham contato anterior. Paloma também foi alvo de um mandado de prisão preventiva nesta quinta-feira, mas é considerada foragida. A polícia suspeita que ela esteja na Bolívia e, como medida preventiva, teria incluído seu nome na lista vermelha da Interpol, assim como ocorreu com Deolane.
Além disso, os investigadores observaram que a advogada tem um filho com um homem condenado e preso por crimes relacionados ao tráfico de drogas e ao crime organizado. Segundo a equipe, essas relações indicariam que a ligação de Deolane com a facção iria além da atuação profissional – já que ela atuou como advogada de integrantes do grupo e possui registros de entradas e saídas em unidades prisionais -, apontando também para contatos pessoais com membros da organização criminosa.
Entre as ações consideradas suspeitas no relatório da Polícia Civil, consta ainda que Deolane processou o banco Itaú após sua irmã, Dayanne Bezerra, ser impedida de sacar R$ 1 milhão em espécie.
O episódio ocorreu em 24 de novembro de 2023, meses antes da primeira prisão de Deolane. Dayanne teria justificado o saque afirmando que o valor seria utilizado na compra de um imóvel. A agência informou que bloqueou a operação devido à “atipicidade de uma operação daquela natureza”. O banco também ofereceu a possibilidade de realizar a movimentação por transferência eletrônica, garantindo a rastreabilidade do recurso, mas a proposta teria sido recusada.
Na sequência, Deolane teria ingressado com uma ação contra a instituição financeira. À época, ela possuía cerca de R$ 10 milhões investidos no banco. Segundo a investigação, o episódio reforçaria a hipótese de que a advogada e familiares utilizavam grandes movimentações bancárias para ocultar a origem de recursos.
Prisão de Deolane
Deolane Bezerra foi presa em São Paulo durante uma operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e da Polícia Civil paulista, que investiga lavagem de dinheiro ligada ao PCC.
A advogada passou as últimas semanas em Roma, na Itália, e retornou ao Brasil apenas na quarta-feira (20). O nome dela chegou a ser incluído na lista de Difusão Vermelha da Interpol em razão da viagem.
A influenciadora já havia sido presa em 2024, junto com outras 18 pessoas, durante a Operação Integration, deflagrada pela Polícia Civil de Pernambuco para investigar crimes relacionados a casas de apostas. A mãe da advogada também foi presa na ocasião.




