O avanço do crime organizado sobre rotas fluviais, territórios indígenas e áreas de fronteira da Amazônia levou o Governo Federal a lançar, em Manaus, uma nova ofensiva nacional que une repressão policial, inteligência internacional e desenvolvimento social como estratégia de combate às facções na região.
Batizado de “Território Seguro, Amazônia Soberana”, o programa prevê investimento de R$ 209 milhões e atuação integrada em áreas consideradas estratégicas para o narcotráfico, garimpo ilegal, lavagem de dinheiro e crimes ambientais.
A proposta faz parte do pacote nacional anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no último dia 12 de maio e terá atuação articulada com o Plano Amazônia: Segurança e Soberania (Amas).
Na prática, o programa pretende ampliar o controle estatal sobre regiões historicamente vulneráveis à atuação de organizações criminosas, especialmente em áreas indígenas e comunidades tradicionais da Amazônia Legal e da faixa de fronteira.
Nesta primeira etapa, a operação vai alcançar 42 municípios de seis estados — Amazonas, Acre, Pará, Maranhão, Mato Grosso do Sul e Paraná — considerados pontos sensíveis para o avanço do crime organizado e das rotas internacionais do tráfico.
Integração
Durante o lançamento, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima, afirmou que as facções criminosas passaram anos se fortalecendo justamente pela falta de integração entre os estados.
“Enquanto os estados agiam separados, as facções atuavam em rede. O que torna este momento diferente é que, pela primeira vez, o Estado inteiro vai atuar junto, com um plano conjunto e atuação simultânea”, declarou.
Além do reforço policial, o programa aposta em inteligência territorial, monitoramento tecnológico e cooperação internacional. Uma das medidas previstas é a criação de uma força-tarefa integrada com a Interpol para rastrear organizações criminosas e suas estruturas financeiras.
Ações
A coordenação das ações na Amazônia ficará sob responsabilidade do Centro de Cooperação Policial Internacional da Polícia Federal. O plano também prevê uso de drones, análise de dados, integração de sistemas e compartilhamento de informações entre forças estaduais e federais.
A secretária nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos, Marta Machado, destacou que a proposta tenta romper com o modelo tradicional de atuação fragmentada na Amazônia. “Hoje sabemos que a repressão qualificada, proteção ambiental, desenvolvimento sustentável e garantia de direitos precisam caminhar juntos”, afirmou.
Segundo o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, o foco será atacar principalmente a infraestrutura usada pelas organizações criminosas na região amazônica. “As ações do crime organizado avançam principalmente sobre a estrutura portuária da região. Esse enfrentamento precisa ocorrer com tecnologia e informação”, disse.
Com informações do Toda Hora.




